quarta-feira, 11 de abril de 2007

No frio do Zêzere



ZÊZERE


A descoberta do rio Zêzere deu-se em Dezembro de 1989, , ali p'rós lados da Guarda, que descemos pela primeira vez com um frio do "camandro"(com neve a ver-se ali bem perto. Um rio de açudes na sua parte inicial, para encontrarmos alguns rapidinhos perto das minas da panasqueira antes de Silvares.






Foi também nessa descida que verificámos que as chaves dos carros da chegada estavam ...na partida. Assim como estávamos: fato de neoprene no corpo, capacete na cabeça, remo na mão e vá de pedir boleia. Resultado: todos os que passavam por nós aceleravam a marcha como que dizendo:Deixa-me mas é por na alheta que estes gajos ainda me levam para o planeta Urano! Na memória fica também, aquela descida feita no verão, em que dispensámos os fatos isotérmicos e a noite se começou a pôr e o nosso carro a não aparecer no horizonte. A geada começou a cair na nossa delicada e descoberta epiderme e, quando decidimos abandonar o rio, já se formavam cubos de gelo em torno de todas as proeminências do nosso corpo, começando pelos dedos... está claro. Quando me lembro dessa experiência ártica o "quêxo" ainda me treme.

Tudo começou pelo Guadiana

Como tudo começou



GUADIANA



Tudo começou no Guadiana, estávamos no ano de 1989, e o meu amigo Jorge Justino convidou-me para descer com um grupo de malta do ISEF um troço alentejano do famoso rio. Descemos na altura em canoas de dois lugares e, entre açudes e longas remadas, nasceu o bichinho, que nem foi quebrado pela canoa que conseguimos partir a meio num dos rápidos do percurso .




Nesses dias, Descemos o rio desde a ponte de Mourão até Mértola. De destacar a Igreja da agora submersa aldeia da Luz onde passámos a noite contemplando o anoitecer à beira rio, do fantástico cenário do Pulo do Lobo, uma enorme queda de água que parece esculpir na rocha um caminho enorme à sua frente, da génese da barragem do alqueva e da estupada até Mértola. Muita remadela, muitos açudes, muita remadela, mais alguns açudes, mais remadela, uns pequenos rápidos, muita e muita remadela, para contarmos histórias de um rio largo, bonito, convidando ao mergulho colectivo, do desfiladeiro após o Pulo do Lobo que fazia lembrar o Grand Canyon. Voltámos a fazer o Guadiana mais duas ou três vezes sempre com bastante pessoal e grande animação, sendo que as descidas seguintes já foram feitas com caiaques individuais de plástico.





Para além dos rápidos logo após o Pulo do Lobo, fica na memória aquela "loucura" de passarmos dentro dos túneis do Alqueva em completa penumbra, desconfiando que haveria saída do outro lado (porque o Jorge nos tinha garantido que haveria (?)) . A louca e longa corrida de canoa até mértola, para ganharmos a imperial e uma dor de braços que nos acompanhou uma bela semana. Os picanços automobilísticos de Pedro Castro no fabuloso panda versus Fernando no AX também ficarão para a história sempre com a sensação de que se nos saísse uma roda numa curva o Pedro rapidamente se prontificava a apanhar. Saudosos e loucos tempos....