quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A Penugem cresceu no Frades



A bomba estoirou. O Ministério Público deu início a um novo processo de aliciamento ilegal denominado “pagaia dourada”. Os indícios surgiram após a divulgação por parte do SIS, de escutas telefónicas feitas em duas habitações, onde se percebia claramente a pressão exercida pelo aliciador (Pedro P.) sobre o aliciado(Jorge P.). Os nomes são quase fictícios, para proteger as suas identidades (não que os malandros merecessem). Então aqui vai o diálogo:
Pedro P- Jorge, amanhã vais connosco ao rio!
Jorge P – Vou aonde?...
Pedro P – Ao rio! Já está tudo tratado. Já falei à Graça e ela deixa ir o Miguel sem exigir muito em troca ( confecção de jantar todos os dias durante um mês, 8 lavagens semanais da loiça durante 2 meses, banhos aos miúdos durante 3 meses e corte de todas as ervas daninhas do terreno durante toda a vida)!
Jorge P – Mas espera aí….
Pedro P – Não espero nada! Vais Buscar a chave do meu carro que está enterrada algures no meu terreno e depois pegas no carro que tem as minhas coisas dentro e vens ter comigo a T. Novas. Ah!.... já me esquecia,… a pá para desenterrares as chaves está encostada à casota do cão!
Jorge P- Mas eu não pos…
Pedro P- Ouve, aquilo da chave era a brincar. Podes descobri-la debaixo de um dos pneus do meu carro. Só o precisas de levantar..com algum jeitinho.
Jorge P – Epá! (todas as escutas têm de ter um “epá” pelo meio e já agora uma asneira ) deixa-me falar porra (aqui está ela)!
Pedro P – Ouve Jorge, espero-te aqui à noite para arrancarmos amanhã cedinho para V. Cambra!
Jorge P- Mas eu tenho de acabar a minha casa!...Não vai dar…
Pedro P – Acabar o quê?.....(silêncio de quem está a conter a gargalhada)…..Deixa-te disso! Tens mais 23 anos para acabares essa … construção!
Jorge P – Depois o cimento aumenta, e os tijolos ficam pela hora da morte…
Pedro P- Se começas com muitas merdas, mando-te aí uns capangas e eles acabam-te a casa num instante!
Jorge P- Epá isso é que não! …A que horas é que é para estar aí?

E foi assim que a pressão ilícita chegou ao mundo da canoagem. Primeiro o aliciamento; depois a ameaça …Felizmente estamos em Portugal e os tipos do Ministério Público estão mais interessados em resolver os verdadeiros casos de corrupção,…bom,… resolver?,…vá,….tentar resolver?.....fingir resolver?....não resolver?,….esqueçam lá isso.

Lá apareceu o Jorge à hora marcada. Depois percebeu a pressão do Pedro para ir ao rio. Estrear a sua pagaia nova…feita com materiais velhos!? Uma verdadeira obra de reutilização que o deixou muito orgulhoso. E era para estar! Não gastou dinheiro nenhum e construiu uma pagaia à sua medida: grande e pesada… A sua dúvida seria se a mesma conseguia flutuar no líquido, dado que o seu peso aspirava mais a funcionar como lastro. O Jorge não se ficou atrás e, também ele, construiu a sua pagaia, toda ela elaborada com material do mais fino ...chumbo. Apesar do esforço, não conseguia contudo, rivalizar com o mastodonte do Pedro.

No domingo choveu todo o dia em V. de Cambra e, depois de ver o grande caudal no rio Caima, convenci os meus companheiros a trocarmos o desfiladeiro do Paiva(inicialmente previsto) pelo rio Frades, que ainda nenhum de nós conhecia.
Pedi informação do local de embarque ao Luís Vieira e lá fomos até à entrada no rio. Quando chegámos lá percebemos que se calhar, não tinha chovido o suficiente.



Da mais leve para a mais Pesaaaada


O Pedro estava contra a descida e eu e o Jorge estávamos numa de descer para conhecer. Tivemos de exercer pressão ilícita para o convencer a descer (dissemos que caso não descesse, arranjávamos uns capangas para lhe roubarem a pagaia e fazerem dela uma âncora de petroleiro) . O Pedro Lá foi contrariado. O rio estava esplêndido, fabuloso, com um caudal espectacular, extraordinário…Agora que já terminei este intenso exercício de auto-convencimento, tenho de admitir que….(o que isto me vai custar),….o Pedro tinha razão! Pronto, consegui dizer. É verdade, o rio estava feito para ficar lá algum plástico dos nossos bonitos caiaques e quiçá parte da nossa carroçaria óssea.

Amolgadela na cremalheira


Fez-se tudo, algumas zonas(muitas) mais arrastadas do que outras(poucas). Para a história ficarão: o Bate Côxa do Pedro num calhau cuja vibração produziu uma espécie de maremoto no rio Frades; a amolgadela do novo caiaque do Pedro, num outro calhau do percurso; A cara do Pedro depois de olhar para a transfiguração do seu caiaque; o salto feito por um Pedro Furioso com tanto calhau.


Só P'ra mostrar a pagaia


Antes do Bate Côxa no calhau
Fúria pós-côxa amolgada

Depois da descida ainda colocámos a hipótese de rumar ao Paiva, para ver se remávamos um poucachinho, mas depois de despir os fatos, e pensarmos na coxa de frango que nos esperava em Arouca, decidimos que colocar fatos molhados sobre a epiderme não era para nós.

Exibindo a Coxinha magoada em frente da igreja...é pecado...

Existiu num entanto, um fenómeno curioso: A tosse que me perseguia há alguns dias, desapareceu durante a descida do rio. Fiquei sem a mais ténue pieira ou catarro. O meu cof, cof, deu lugar a um som estranho que ainda hoje estou para perceber o que significa. Era qualquer coisa do género “quac,quac…”

Penugem versão "National Geografic"



Hoje, ainda estamos num processo de recuperação psicológica e de vez em quando ainda tiramos uma ou outra penugem do dorso. Pressinto que não faltará muito para o SIS descobrir uma nova escuta telefónica:
Pedro P – Ó Miguel! Já está tudo pronto, para amanhã irmos ao desfiladeiro!
Miguel P- Epá (aqui está ele outra vez) não posso!
Pedro P- Já disse ao Jorge que lhe mandava uns capangas acabarem-lhe a casa e tu, se não te pões pianinho, ato-te a minha singela pagaia ao costázio e mando-te um encontrão para o rio!
Miguel P – A que horas é para estar pronto?...

O Micro- VIDEO Aqui...


E para terminar, deixamos esta montra de uma Companhia de Seguros em Arouca...Sem comentários...(atenção...uma companhia de seguros...)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Rios, sismos e minimalismos...


Com a vontade reforçada pela falta prolongada de líquido nos rios e depois de uma semana chuvosa, decidimos rumar em direcção ao minho. Desta vez, para variar, fomos os três artríticos, porque mais uma vez os outros a quem falámos tinham artroses maiores ao nível das capacidades volitivas, encobertas com razões extremamente válidas como pagaias partidas, afazeres familiares, pragas de pulgas nos cães, fuga dos piriquitos para o Botswana e vejam só...falta de dinheiro( eh,eh,eh).
Chegámos a Melgaço e dirigimo-nos à pousada da Juventude. Uma das características marcantes do avanço da idade cronológica (maneira simpática de dizer "envelhecimento carunchoso"), além dos cabelos brancos, das dores por tudo o que é articular, da surdez progressiva, está na clarividência da observação das condições ideais de conforto. Como tal, vamos perdendo essa capacidade de achar grande piada às noites idílicas de acampamento junto ao rio, à volta da fogueira, a tentar secar os fatos debaixo de chuva e, de forma incompreensível, começamos a dar mais valor a uma caminha quentinha, num quarto quentinho e um banho quentinho. Recebidos por uma moçoila de fartos atributos, verificámos que éramos os únicos a usufruir daquele fabuloso espaço, com solo em madeira e aquecimento central, a preço de campismo. A juventude não aproveita, aproveitam os jovens mais seniores…
Na primeira noite, fui surpreendido por um estranho fenómeno. Acompanhado por um ruído de progressiva intensidade, começou uma vibração ao nível do subsolo, que punha tudo a abanar. “Pedro! Estás a ouvir isto?” perguntei incrédulo e temendo o pior cenário dos livros do Asterix. “Jorge! Estás a ouvir isto?” perguntou o Pedro ao Jorge. Curiosamente, quando o Jorge acordava, a vibração parecia diminuir. Foi então que percebemos que aquele fenómeno sísmico com cerca de 7 graus na escala de Riscther tinha o seu epicentro no nosso quarto da pousada, mais precisamente dentro da cama do Jorge. Rapidamente transportei o colchão para o hall (até hall tinham os quartos…) para tentar dormir, um pouco mais protegido da expansão sísmica produzida pelo aparelho respiratório do meu amigo Jorge (já dizia o ditado “com amigos destes….”). O Pedro juntou-se a mim no abrigo anti-terramoto cerca das 4 da matina, facto que merece um louvor especial, por ter aguentado aquele abalo mais três horas do que eu.
No dia seguinte atordoados pela atribulada noite, fomos até ao rio Mouro. E foi no caminho para esse rio que começaram as dissertações do Pedro sobre os atributos da arquitectura minimalista. E como Melgaço era rica em termos de casas minimalistas. Análise daqui, paragem acoli, fotografia acolá, acompanhadas sempre por abalizadas opiniões sobre as formas rectilíneas das habitações ao que se seguia sempre a pergunta: Mas porque raio chamam a estes monte de cubos sobrepostos casas minimalistas? …Lá fomos em direcção do Mouro, um rio que tínhamos feito há cerca de um ano em cheia e prego a fundo, facto que inviabilizou uma apreciação mais calma dos encantos do mesmo. Seria desta vez. O caudal parecia o ideal e o sol queria romper entre as nuvens. Conseguimos encontrar um taxista que nos fizesse o retorno do carro, mas parece que o tipo tinha poucos conhecimentos de orientação e a espera foi longa. Demasiado longa para os delicados pezinhos dentro das botas gélidas. Depois de algumas corridas e saltos, os pezinhos continuavam empedernidos e foi então que ouve alguém que optou pela solução mais javardolas. Decidiu unir o útil ao agradável. O útil, materializado pela vontade de fazer uma mijoca; o agradável pela vontade de aquecer o peúgo. Solução? Despender o caloroso líquido urinário (vulgo mijinha) para o interior de cada uma das botinhas. À primeira vista parece repugnante, mas não sabem como aquilo soube bem… Parece-me mesmo que se ouviram as risadas de contentamento do dedão do pé.






Depois do taxista dar com o caminho lá descemos o Mouro. Um esplendoroso rio, que se foi descobrindo e desfrutado com alegria. A qualidade das imagens de vídeo, faz-nos perceber o grau evolutivo do artista. A união entre imagens muito pequenas, desfocadas, tremidas e com um certo grau de nebulosidade, dão ao realizador um cunho artístico situado na confluência do surrealismo com o minimalismo cúbico e o estrume do buvino. Se têm dúvidas da qualidade apreciem AQUI (VIDEO) a fabulosa obra de arte cinematogáfica. Pedro Scorcese mudou o seu pseudónimo para Pedro Minimalismo Obscurantista. (Ponham o volume bem alto para perceberem a magnitude do sismo que assolou Melgaço). O video é pesado, como tal o melhor é deixá-lo correr uma 1ª vez e só depois vê-lo de seguida.

Depois da saída do rio, percebemos que vinham uns espanhóis colados a nós. Um deles ainda teceu comentários depreciativos ao avantajado caiaque do Pedro, mas olhando para a volumetria do utilizador, cedo compreendeu…

O melhor momento do dia é sempre quando se retiram as vestes húmidas para dar lugar ao tecido sequinho e nos pomos a imaginar o repasto que vai ser triturado pelas nossas carentes mandíbulas. Nada melhor do que em Melgaço, uma tasca encostada à igreja, onde ainda tivemos tempo de assistir ao jogo do Benfica para não sair derrotado da luz, perante o olhar benfiquista e desconsolado do Jorge. Depois do bife, recolha aos luxuosos aposentos e preparação para um novo sismo. Desta vez foi o próprio sismo que se sujeitou ao abrigo anti-terramoto, afinal estava em minoria.

No dia seguinte, depois do pequeno almoço, percebemos que o tempo tinha mudado. Era vento e chuva com fartura, acompanhados por uns apelativos trovões. Tínhamos programado o rio Vez e, em todo o caminho, para além de discussões sobre o minimalismo arquitectónico, pôs-se a hipótese de abortar a descida. O panorama de despir a roupa sequinha à chuva e mergulhar no rio à chuva quase nos demoveu dos nossos objectivos. Mas não!!! Os velhadas, não se negam mesmo perante condições adversas!...apesar de nos ter apetecido muiiiiiito….
Encontrámos no ponto de partida uma malta que pensávamos ser espanhola, e que ocupavam o único local coberto e onde poderíamos equipar com algum conforto. Pedro logo pôs em acção a sua veia poliglota e lançou um “nosotros estiamos esperiando qui vosotros se dispiam!”…o silêncio deles deu a entender uma expressão do género “o que é que este gajo está a dizer?”.
Quando me aproximei deles e me preparava para ouvir castelhano, ouço um tipo a falar português. Pertenciam a um clube de Braga e iam descer aquele troço. Malta porreira que tal, como nós, não deveria bater com todos os cilindros e que se prestou a meter-se debaixo da intempérie.
Descemos apenas os dois primeiros rápidos juntos e depois despedimo-nos porque nós ainda tínhamos de fazer uma longa viagem. O Pedro, sabe-se lá porquê (eu sei mas não digo), meteu o freio nos dentes e foi por ali abaixo ajudado pela sua pagaia minimalista e nós a ver se conseguíamos acompanhar o ritmo meteórico da sua remada. Fizemos a etapa em 50 minutos, com a grande vantagem de não se ter tempo para qualquer realização de filme versão minimalista.
Acabámos em beleza na mesa do Valente em Ponte de Lima, a trincar o polvo grelhado e a vitelinha assada. Que melhor se pode querer?....
A propósito, eu já tinha falado da arquitectura minimalista?...É que são casas muito engraçadas…


Ó Pedro! Ó Pedro! Afinal parece que já podes trocar de pagaia, ouvi dizer que nos vão aumentar os salários 20%...
Eh,Eh, Eh,...


Foi o Sócrates que prometeu!....

domingo, 25 de novembro de 2007

Com Frio e… Sem Água


Não metíamos as nossas delicadas nádegas dentro do caiaque há 3 longos meses e, eis que caiem uns quantos pingos torrenciais de chuva para nos acalentar a esperança de tirar o mofo dos fatos. Começámos a época como a tínhamos terminado: no desfiladeiro do Paiva. Paradoxalmente (achei que ficava bem este termo para começar a época de com algum nível de escrita), o rio tinha menos água em finais de Novembro que em Junho(?). E nestas coisas de rio existe sempre a tal relação inversa Menos água – Mais calhau, facto que cria sempre uma perspectiva agradável para a doce moleirinha coberta pelo frágil capacete da loja dos 300. Desta vez fomos os três. O Jorge, o tal homem que no ano de 1990 depois de Cristo, ficou celebrizado pela marcante frase “Eu Faço!” olhando para o rápido das Marmitas, numa altura em que não sabíamos que existiam cordas de resgate. Mas não só disse como de facto fez... Desta vez o Jorge não se limitou a voltar ao local do crime, como veio munido de uma nova e revolucionária embarcação: um barco que tem tanto de caiaque como de submarino. Na verdade o barco é o mesmo, mas o seu volume não conseguiu adaptar-se ao relevante crescimento morfológico do seu utilizador; em linguagem mais brejeira “o gajo engordou comó camandro desde a última utilização e o caiaque não tem culpa”. Em compensação o Pedro, que tem a mania das grandezas, exibiu altivamente o seu novo tanque aquático, lançando um olhar de soslaio para o submarino do Jorge como que a dizer: Ó pequenote!...Olha p’ra mim aqui em cima! Dada a enorme dimensão do petroleiro decidiu que poderia levar todo o enxoval no seu interior , facto que mais tarde trouxe algum arrependimento e muita dor de costas, durante a portagem do salto.
As imagens que se seguem foram as poucas que não ficaram em filme.



Mas lá fomos todos contentinhos, cheios de vontade de roçar com a bunda nos calhaus. O Pedro lá em cima e o Jorge tentando convencer o seu barco a deslocar-se debaixo de água. Atestámos no primeiro rápido que a coisa ia bater muito no fundo e lixar o fundo novo do caiaque novo. Aqui em baixo aparecem as imagens que não sei como estão porque o fóssil do meu computador, deu o berro e aquele em que me encontro, é um fóssil um pouco mais recente que não me deixa ver as imagens... Quando eu tiver acesso a uma máquina melhor, farei as devidas correcções... Ver Video AQUI
Aquilo foi-se fazendo, sempre com a reportagem videográfica do mais alto gabarito, agora com a nova caixa estanque, o filme iria ficar melhor…ou talvez não. Sim, porque a caixa estanque fazia toda a diferença. Desta vez, como ia o Jorge, tive a oportunidade de lhe passar a batata quente de filmar o sempre exigente Pedro Scorsese. E a coisa parece que não correu bem. O Jorge apenas ligou a máquina um tempito… depois do gajo entrar no rápido. Eu estava descansado porque agora seria o Jorge a papar com os impropérios do grandalhão sobre as lamentáveis qualidades na captação da imagem.
Depois do rápido grande lá fomos às Marmitas e aí coube-me a mim perceber a sensação de submersão que o Jorge sentia com o seu barco. Depois de passar a parte inicial do rápido, senti que fiquei assim a modos que…entalado entre três calhaus (qual Egas Moniz no portão do Castelo de S. Jorge), com a água a fazer-me cócegas nos pêlos das costas. Não me bastava esta humilhante entaladela (que a imagem documentará; eu ainda quis apagar mas não consegui…) ainda sentia o gargalhar dos meus simpáticos companheiros de descida. Lá Desentalei, e continuámos.
Entretanto começámos a perceber que a temperatura da água, não convidava a grandes banhos, e foi isso que tratámos de não fazer. Começámos a remar um pouco mais rápido, para ver se as adiposidades aqueciam, mas também para fugir dos comentários técnicos do Pedro sobre o seu novo barco”Epá o caiaque parece que foge; epá o caiaque passa muito bem o rápido!….?...então em que é que ficamos pá?.... Foge? …ou passa bem o rápido?...Decide-te pá!. Entre estes dois comentários aparentemente antagónicos, largava um nostálgico “o meu caiaque velhinho passava muito bem isto…”. Ele há gajos, indecisos…Apesar das indecisões e do barco novo que é melhor, …ou parece que não é,…ou vá lá,….tem mais volume,…mas foge mais, o tipo desceu tudo aquilo com uma perna às costas.
Após o rápido das escadinhas apareceu a outra malta que descia o rio nesse dia e acabámos juntos o pouco que faltava. O Joaquim de Alvarenga logo se prontificou a dar boleia para ir buscar o carro ao Areiinho. Com a pressa de ir buscar o Jorge ,que não tinha roupinha seca como o Pedro (lembram-se do enxoval?) , despedi-me do Joaquim e arranquei a abrir para ver se resgatava o Jorge ainda com vida e esqueci-me do meu equipamento no carro do Joaquim. Foi o pretexto para voltarmos a meter o dente nos famosos e saborosos bifes de Alvarenga. O Jorge e o Pedro, esquisitos e com déficit de sensibilidade não apreciaram lá grande coisa tão subtil iguaria. Eu trinquei a iguaria até ao último resquício e, de barriga cheia, nem tive tempo para me chatear muito com a conta puxadota que tivemos de pagar.

A Vaca Arouquesa...no prato...




...E ainda há vegetarianos....


Voltámos para casa, acompanhados pelo melódico ressonar de Jorge Betoneira, que conseguia sobrepor-se a qualquer outro ruído externo. Quando por vezes despertava, sem qualquer noção da magnitude dos seus sons, fazia comentários depreciativos à nossa música sempre actual, que entretanto já conseguíamos ouvir (porque ele tinha parado fazer cimento)... Entre ressonar e dizer mal do magnífico Rod Stewart, pior, só mesmo uma crise de flatulência, que felizmente o Jorge não teve...o cheiro vinha lá de fora...


O doce ressonar da betoneira...



Agora é esperar para que caia chuvinha para irmos aos rios do Minho….

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Últimos cartuchos no desfiladeiro do Paiva

Torres Novas, 3 de Junho 2007:

- Então o caiaque?
- Qual caiaque?
- Não tínhamos falado na possibilidade....
- Não me disseste nada e eu não trouxe o caiaque!
- É que está um sol do camano e parece que no paiva ainda dá para descer.
- Porra pá, não trouxe o caiaque!
- Eu empresto-te um e vamos lá!
- Eu vou é buscar o meu a casa e volto já...
200km depois
- Já tenho o caiaque!

Lá fomos os dois (toda a malta a quem mandámos um toque tinha mais que fazer), rumo ao desfiladeiro do paiva para a descida domingueira. Saímos de Torres Novas às 7 da matina e estávamos em frente ao rio às 9.30h. Entre vestimenta e cagadela entrámos na água às 10. Um calor a convidar à banhoca para refrescar a epiderme suada debaixo do kispo. Depois de umas quantas esquimotagens, percebemos que nem só na Costa Rica existem rios de águas bravas onde apetece mergulhar.
O Caudal estava baixo, muito calhau à vista mas lá fomos descendo sem grandes problemas. Agora que o Pedro descobriu que a sua máquina comprada nos chinocas até dá "pala fazele uns fillmes poleilos", assumiu de forma explícita a sua veia scorsesiana e vá de filmar as passagens com ângulos daqui, mais zoom dali, mais planos panorâmicos dacoli. Mas como os chinocas são muito poupadinhos nestas coisas da tecnologia, descobriu-se que a máquina só dava para 30 segundos de filme de cada vez, daí os inúmeros cortes artísticos da realização. Por vezes ouvia-se o realizador: Epá vê lá se desces essa coisa mais rápido senão o filme acaba!
As poucas fotografias que se tiraram coloco aqui já em baixo. De reparar que dentro do rio, só aparecem fotos do caiaque mais bonito, isto porque o gajo do caiaque mais foleiro, só queria filme, daquele não estático, resultando num enorme ganho em termos estéticos do slide fotográfico...





Na sequência de imagens de video que se segue, a tremideira não resulta de qualquer tipo de doença degenerativa do sistema nervoso central por parte do câmara-men, mas sim à criação de uma técnica revolucionária de filmagem denominada "Oscilantion View" que dá um cunho mais dinâmico à acção, transmitindo ao espectador a sensação de estar dentro do caiaque com o próprio personagem... Para visionar o video clicar AQUI . A música é em honra à malta da nossa idade que ainda se lembra dos Jethro Tull...

No final da descida, ainda vestimos o equipamento da corrida para irmos buscar o carro ao areiinho, mas o sol na cachimónia logo nos forneceu a clarividência de que uma boleia saberia melhor. Ficámos à espera enquanto umas espécies de moscas carnívoras se mandavam furiosamente às nossas carnudas coxas, mas percebemos que àquela hora (duas da tarde) , a malta estaria a saborear o descanso pós-repasto e não passava um único veículo que nos pudesse salvar daquele ataque feroz do insecto. Decidimos chamar um táxi de Canelas e ainda bem. Por um lado já não tinha de correr, por outro o senhor pôs-me a par das novidades da aldeia e fiquei a saber que as duas filhas do Padeiro de Canelas já não estão lá, que abriu um restaurante muito bom acima de Canelas onde se come uma vitelinha assada do melhor, das suas pescarias e petiscos à noite perto do rio e do muito pessoal que tinha passado por lá este ano com esses grandes barcos de borracha...

Um agradecimento final à loja Zin Pong Yang, por ter tornado possível esta apresentação, quer pela fabulosa imitação de máquina cannon que nos facultou, quer pelo cabo de ligação multifunções que nos vendeu e me fez perder aproximadamente 1h18minutos e 38 segundos no sentido de perceber como aquela porra funcionava. Ao senhor Chang e esposa que não tiram os olhos de nós enquanto fazemos compras, o nosso muito obrigado.

Para Setembro haverão mais rios para descer e histórias para contar. Agora é mais praia e ondas...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Mouro e Vez - lembrando os Alpes

9 de Dezembro de 2006




Rumámos ao Rio Mouro ali perto de Monção. Duas semanas após as grandes cheias lá fomos (Pedro, Jorge J. e eu) convencidos que os caudais já estariam mais baixos. À medida que os quilómetros passavam, e nós passávamos por cima das pontes, começámos a ver que lá para cima a chuva não teria abrandado...assim muito. Mondego em cheia, Vouga em cheia e todos os outros rios que vislumbrávamos tinham as árvores bem no meio da correnteza...sinal que a cheia continuava por ali. Não esmorecemos e fomos optimistas até à ponte de saída para o rio Mouro. Tudo aquilo era uma grande massa branca de água, levando-nos a questionar se valeria o risco...arriscarmos. Arriscámos e lá fomos nós na corrente, sempre pata a fundo, lembrando as descidas dos Alpes franceses que fizemos em 2003.
Com poucas zonas de recuperação, com bom desnível, muito frio e muita chuva pela cachimónia...










Optámos por não fazer um salto a meio do percurso porque o retorno que formava, não era muito convidativo para um mergulho sem guelras...Ao vivo, era um bocadito mais imponente...




Num dos rápidos mais desafiadores e longos do trajecto (não dava para ver bem a parte final), foi altura para sentir a consistência de um calhau bem na lateral da minha testa, levando aos mais despropositados comentários tauromáticos dos meus dois companheiros no resto da descida. Capotei em dois retornos na parte final da passagem (após o tronco que passava o rio) e senti que o meu velho capacete estava zangado comigo. Quando esquimotei e consegui uns metros mais à frente encostar, percebi que o meu corno rivalizava com um dos bois de qualquer ganadaria de sucesso. A vantagem da frescura do líquido, é que pus o corno de molho, e 5 minutos depois já só aparentava ser um cornito de bezerro no desmame. As imagem documentam a sequência do rápido....













Dizem que pareço o calimero com este capacete não sou eu que faço muuuu...


Mais umas quantas passagens e, com o adiantado da hora, decidimos sair do rio enquanto era de dia (para não repetir a penumbra do covo). A subida até à estrada, foi penosa,...muito penosaaaa.



Acabámos a comer a Vitela e o Polvo à lagareiro em Ponte de Lima (cada meia dose dá para uma família completa; piriquito incluido)






Rio Vez





Depois de uma noite bem/mal passada na pousada da juventude (sim, ...descobri que sou bué da jovem e todos os que lá pernoitaram muitos com aspecto de avôzinhos...), arrancámos até ao rio Vez. Com a experiência do Mouro íamos à espera de mais uma descida vertiginosa com carradas de água. O meu corno estava agora muito mais reduzido, penso que se escondeu talvez por não suportar o ressonar de Jorge Betoneira, que deveria ter dormido a 6 quartos de distância do nosso, mas optou por ocupar o beliche ao lado do meu. Senti-me na Terra do Asterix a ter de suportar o Bardo toda a noite a recitar uma das suas magníficas canções ...

Nem o tampão vedou os decibéis

O bardo e o ouvinte com aspecto radiante

Apesar desse "pequeno" precalço sensorial, lá fomos para o rio Vez, nunca feito por nenhum de nós. optámos por fazer um troço do rio bastante animado entre a Ermida Sr do Aflitos (o nome não augurava nada de muito bom) e a Ponte de Neval. Eram 6Km com 90 metros de desnível, que com o caudal do dia anterior , nos dava alguma garantia de diversão em segurança. Encontrámos uns quantos espanhóis na entrada do rio (sinal que não utilizam o nosso país só para nos venderem roupa, calçado, fruta, peixe e afins). Como estávamos com alguma carência calórica, optámos por não descer com nuestros hermanos, mas abastecer os nossos delicados estômagos de portugas lateiros, com duas sandes de presunto em pão de cacete, uns sumos e um copo de boa pinga que o padeiro nos obrigou a engolir (só para provar, está claro...). O nosso repasto pré-rio desenrolou-se ali num café que não ia abrir, mas perante o nossa cara de "coitadinhos que não têm nada para comer" (principalmente o raquítico do Pedro) a senhora lá nos fez o jeito. Enfardámos que nem uns condenados e entrámos no rio a arrotar. A descida revelou-se bem mais fácil do que a anterior, sempre bastante animada sem serem necessários reconhecimentos fora do barco, talvez por isso também se tiraram poucas fotografias, que apresento hoje em slideshow (que aprendi hoje a fazer e dá outra dimensão internacional e riqueza a este blogue)
















No final da descida, quando nos preparávamos para a nossa penosa e habitual corrida, o Pedro vislumbrou um senhor dentro de uma carrinha de caixa aberta a parar junto ao café (que nos deu a paparoca) e utilizou a técnica do voluntário forçado: Ó chefe, a malta paga-lhe o gasóleo e o senhor vai-nos ali levar ao local onde temos carro!?...em linguagem de Cova da Moura "ou vais lá ou a malta tem de se chatear". O pobre do homem que não ia lá...teve de ir...lá. Bendita boleia. Como estava um pouco frescote, subimos para a caixa aberta e tentámo-nos abrigar do vento. O jorge, achou que não era preciso e aqui está a sua cara, segundos antes de criar um bloco de gelo à volta da sua narigueta.

Ó p'ra mim tão contente e prestes a transformar-me em pinguim


Depois de delicada operação para descongelamento do nariz e demais orgãos salientes do Jorge (alguns (que omitimos) não tiveram salvação) regressámos ao aconchego do lar, sempre com uma ideia no pensamento: Mas será que não estamos já velhos para apanharmos com este frio e esta chuva na cachimónia?...Não!!! responde a nosso ego em uníssono, num claro exercício de autoconvencimento...e de não aceitação de que as nossas artroses agradeceriam a troca desta água fria por umas pantufinhas e uma lareira quentinha....



quinta-feira, 12 de abril de 2007

Fabuloso rio Covo

Outubro de 2006:


Poucos dias após as primeiras cheias, eu e o Pedro aproveitámos um sol radioso e rumámos à descoberta do rio covo. O rio covo é um afluente do Paiva, mais pequeno do que este, mais estreito e com maior desnível, num vale esplendoroso. Um outro aliciante para nós, era a distância, relativamente curta entre a partida e a chegada. Limitações de ordem logística para quem só tem um carro. Descemos com o equipamento dentro do caiaque para ir buscar o carro a correr, no final do percurso na água (ainda não consegui ensiná-lo a vir ter connosco ao assobio).







Apressámo-nos a equipar, e colocámos os caiaques na água. O rio começa logo com uma sequência de três saltos bastante interessante, para não termos tempo de nos queixarmos da monotonia . Fiz a 1ª passagem enquanto o pedro captava o meu melhor sorriso . Não se vê bem na fotografia fruto da deplorável qualidade do fotógrafo e da máquina que os chineses lhe venderam dizendo que era uma cannon...




De seguida, eu ia explicar ao Pedro como um excelente fotógrafo pode culmatar carências qualitativas da máquina, mas eis que, antes do 1º salto, a sua decrépita pagaia, decidiu pela recusa e partiu-se sem mais nem menos. Resultado: estávamos na eminência de termos feito um porradão de quilómetros para ficarmos por ali mesmo, uma vez que não tínhamos mais nenhuma pagaia suplente (o ordenado de professor não dá para mais...). O Pedro também conhecido por "Macgyver Versão Melhorada" pôs-se logo de volta daquilo, com olhar de quem lida mal com a palavra impossível. Corda daqui, aperto dacoli, puxão dacolá...e nada! Eu olhava para aquelas tentativas com um optimismo a roçar o PIB português. Decidimos que o melhor seria irmos à aldeia ali perto procurar um ferreiro que nos desenrascasse a um fim de semana. Quando nos dirigíamos à procura de ajuda, cheios de pressa, ouvimos: ajudem!...ajudem!...? mas seria o nosso eco?...eram duas cabras (daquelas com pêlo e barbela) mãe e filha que, não só se tinham convencido que conseguiam nadar, como apostaram que faziam o primeiro rápido mais depressa do que a pagaia do Pedro. Estavam as duas dentro do rio e os donos sem saber o que fazer. Pedro com o seu super-poder puxa pela corda, e a mim, restava-me a parte mais hijiénica e humilhante, dentro do rio a empurrar as nalgas do caprino...esperando a qualquer momento por uma surpresa em forma de gás de rectaguarda. Lá pusemos os bichos a salvo e encontrámos um ferreiro que não sabia de ferragem, mais pessimista do que eu, mas que foi forçado a arranjar, empurrado pelo optimismo e tamanho exarcebado de Pedro Macgyver.


Pela diferença de estatura, facilmente se depreende que o ferreiro, mesmo contrariado, não tinha outro remédio senão seguir a sugestão do Pedro....




Depois do ferreiro ter sido quase forçado a fazer um trabalho de ferragem, a pagaia parecia sólida para aguentar a descida. Entrámos na água perto da uma o que não dos dava muito tempo para fazer um rio que não conhecíamos. Desta vez a pagaia não se recusou e lá consegui fazer uma foto do Pedro, que não exponho aqui porque já está exposta no grande festival de fotografia de Oslo, tendo sido nomeada como uma das 5 melhores fotografias do ano de...2008(?) (todos acreditavam que só daqui a um ano seria possível produzir e compreender uma obra daquela magnitude) e candidata ao prémio da melhor Foto do Ano ..na realidade, esta foi a maneira de dizer que a fotografia ficou, como ei-de dizer, com uma aparência similar à caganeta produzida pelo traseiro do caprino que eu estive a empurrar...Obviamente, que essa pequena falha, foi paga durante toda a descida pelos impropérios do Pedro sobre as minhas enormes capacidades de repórter fotográfico.




Prosseguimos na nossa descida, com inúmeros reconhecimentos, e o rio foi-se todo fazendo, sempre com passagens estreitas, sucessivas e de grande beleza.











Antes do meio da descida, foi tempo para enaltecer as grandes qualidades do ferreiro, que tinha posto um micro-rebite na pagaia, que acabou por partir. Macguiver Versão Melhorada, tinha o desafio à sua altura. Sem qualquer tipo de ferramenta, conseguiu encontrar um resto de garrafão de lixívia numa das margens (sinal de que estávamos em Portugal) e lá conseguiu fazer uma pagaia presa por arames (quase literalmente). Nos rápidos mais complicados emprestava-lhe a minha pagaia e lá fomos indo, desconfiando que iríamos chegar perto da noite. Não só estávamos perto da noite como a noite nos disse qualquer coisa ao ouvido, que me parece ter sido: ...Espero que tenham as lanternas...mas nós não tínhamos. Vá de remar, sem tempo para parar ou reconhecer rápidos, na mais completa penumbra, até que chegámos ao local onde o rio Covo termina e se prepara para entrar no paiva. Tínhamos chegado ao fim, mas ainda nos faltavam os 5 km de corrida, que nestas coisas de descidas de rio, significa quase sempre a subir...



No aconchego do carrinho, estávamos convictos que tínhamos merecido a refeição da noite, que fomos comer em Viseu.


Voltámos a descer o Covo os dois, já em Fevereiro deste ano, depois de uma ida ao rio Varosa em vão, porque a mini-hídrica desse rio,apenas viabilizava uma descida... com o caiaque às costas. Acabámos no Covo, para mais uma magnífica descida nesse magnífico rio. Captámos mais imagens de vídeo (que quando eu souber introduzir...introduzirei...). A imagem que se segue foi das poucas que sairam razoáveis (é que o Pedro arranjou um sistema hermético, para a câmara não se molhar, ...nem fazer fotografias muito nítidas...)





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