50 anos do Pedro Castro from Miguel Sentieiro on Vimeo.
O testemunho dos 3 amigos da vida airada...quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 31 de julho de 2015
A Ilha
sábado, 2 de agosto de 2014
Aventura na Serra da Estrela
A tradição da aventura familiar começa a enraizar-se e, no caso dos mais velhos se esquecerem, os miúdos fazem questão de lembrar estes dias sagrados no calendário. Os dias do acampamento, da descoberta, do desafio, do convívio. No ano passado estivemos a navegar ao nível do mar, neste ano decidimos "navegar" ao nível da montanha mais alta do território continental. Rumámos à Serra da Estrela, em busca de percursos desafiantes para testar as pernocas mais resistentes. O Team Castro foi desta vez mais completo, com a presença de Henrique o primogénito da famelga. Montámos arraiais no Parque de campismo do Vale do Rossim (perto de Penhas Douradas)e daí partiríamos para os desafios pedestres a realizar. Escolha estratégica do local de montagem do acampamento, que viria a revelar-se sábia, fundamentalmente para todos os que ansiavam por experiências nocturnas ao nível dos decibéis dos melhores festivais de verão. Na realidade as violas e baterias seriam substituídas por sons de latidos caninos, de variada intensidade situada entre o ruído de imberbes e pequenos cachorros até ao velho e imponente cão da serra. Uma doce melodia que ecoava nos nossos tímpanos a partir da uma da matina e se prolongava por...tempo demais. Mas é tão bom acampar!...não dormiste nada na primeira noite por causa dos cães?...mas é tão bom acampar!...não dormiste nada na 2ª noite?...mas é tão bom acampar!... Com olheiras bem marcadas, atacámos o primeiro percurso entre o V. Rossim e a Torre, trajecto aconselhado pelo dono do parque cujas indicações preciosas não nos fariam ter qualquer dúvida...ou talvez sim...Chegam ao cruzamento marcado com dois paus, optam pelo caminho do monte de pedras, depois seguem o formigueiro e descobrem o outro caminho marcado com pedras...Explicação irrepreensível para qualquer índio Sioux. Penso que poderia completar com o cheiro da bosta de ovelha, a temperatura dos calhaus ou a direcção do vento...infalível. Seguimos as pistas e cedo (2 horas de caminhada depois) percebemos que o percurso seria duro e espinhoso e que as reservas de litro e meio de água, mais duas garrafas pequenas, seriam suficientes para qualquer nómada no deserto, mas claramente insuficiente para as carentes goelas da pequenada, pouco habituadas a recessão líquida. As claras indicações, rapidamente desapareceram e confiámos no instinto de orientação e memória de Jorge Reis que tinha realizado este percurso no ...século XIX. A coisa ia correndo bem, um pouco sofrível para a pequenada a partir da 3ª hora, e com a ordem de apenas molharem os lábios com o líquido, pois não sabíamos exactamente quanto tempo faltaria para a chegada à Torre(a confiança na memória do Jorge era pouca). Passámos por locais paradisíacos, lagoas inesquecíveis, vales de perder de vista e locais com história como o canto do ronco onde um tal de Conde mandou construir para bater umas sonecas (talvez porque também tinha cães a atazanarem-lhe o sossego). Chegámos à última lagoa com a Torre lá em cima à vista e aproveitámos para arrefecermos os corpos escaldados pelo sol. Sobressaiu aí a imponente figura de Tarzan Castro Taborda, que com as carnes bem aconchegadas dentro de uma micro-tanguinha , exibiu ecléticos recursos artísticos começando por estrondosos chapachapões ,passando por arriscados mergulhos do tipo Red Bull Clif Diving, e terminando na suavidade de movimentos de natação sincronizada...
Depois do mergulho ,Jorge Reis lançou o desafio de irmos encontrar a neve que tínhamos visto lá atrás e todos acenámos afirmativamente com a cabeça dizendo: Vai Tu!!!...A Torre estava ali com o dedo indicador a chamar para encerrarmos aquele capítulo mais cedo. Jorge iria ao encontro do gelo na rocha e nós fomos à procura do gelado na arca congeladora...
Depois da caminhada passámos no Sabugueiro para um café e os miúdos apareceram a correr(ainda conseguiam...) porque tinham encontrado um campo e adversários para uma futebolada. Mais uma hora de corrida atrás da Bola nesse derbi mítico entre o Sabugueiro Futebol Clube contra o Taborda Team. Claro que os pequenos tarzans não deixaram ficar os seus créditos por pés alheios e, mesmo com 5 horas de caminhada no bucho, despacharam a concorrência...
Regresso ao parque, e petisco de feijão frade elaborado pelo Pedro que toda a malta comeu sem pestanejar, antecipando que mesmo que os cães ladrassem toda a noite, teríamos uma contraofensiva para libertar...Infelizmente, os cães ganharam novamente a ofensiva, sem conseguirmos ripostar o sistema de defesa anti-latido. Mais uma noite sofrida...
2ª caminhada entre Torre e Covão D'ametade, sempre a descer no meio de uma paisagem avassaladora. Percurso curto, mas de dificuldade maior do que o do dia anterior. Cerca de duas horas de descida, tentando mais uma vez encontrar melhores opções de trilhos, muitas vezes imperceptíveis. Pena que os diversos organismos "responsáveis" pela potenciação turística destas pérolas naturais, se descartem e deixem ao semi-abandono estes trilhos de enorme valor. Final da caminhada no parque de merendas (ou de campismo???) do Covão D'ametade para um piquenique final. Passagem por Manteigas, já de carro (percurso do vale glaciar do zêzere), para aterrarmos no molho da barragem à porta do parque de campismo. Estava marcado um novo dérbi no Sabugueiro, mas a outra equipa perdeu por falta de comparência, e então tivemos que disputar o grande confronto Pais x Filhos, com vitória para os mais velhos no desempate das grandes penalidades. Na 3ª noite, sem recurso a combustível movido a feijão frade, estaríamos totalmente expostos ao humor dos canídeos que tínhamos por vizinhos. Mas nessa noite, após começar o recital de ladradela o espírito de Tarzan Taborda ecoou pelos frágeis panos da tenda por volta das 2 da manhã num contundente rugido: "Fo****p'ro Ca***** dos Cães!!!". Não sei se, pela colocação de voz, pelo próprio léxico, ou por a fama de Pedro Castro para a chapada já se ter espalhado pelos canis da Serra da Estrela, o que é certo é que as doces criaturas perderam o pio no mesmo momento, e tornaram a nossa noite, na mais pacífica calmaria. Ùltimo dia de mergulho na barragem, passagem pela Covilhão para uma macdigestão de civilização e regresso a casa já com vontade de planear a próxima aventura...
Mensagem para o nosso amigo Jorge Justas que ,depois de ter acumulado uma série de acidentes domésticos ( entorse, queda de mota, queda a fugir do cão e queda a fugir dos fiscais camarários), viu a sua habitual participação nestas saídas inviabilizada...um abraço da malta para ele...
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Meio Século do Justas
E estas do inicio e fim do passeio de BTT
| Mas está a encher o pneu ou a barriga??? |
| Encontrei isto na garagem...acham que anda??? |
| A minha é a amarelinha... |
| Teste ao fortalecimento postural do pequenote e do matulão... |
| Antes de 2h a pedalar...só sorrisos... |
| Depois...já não temos idade para isto!... |
| 10 pastelinhos?...chegam... |
| Mas um de cada vez |
| E eu?..e eu?...só mordo calhaus???... |
| Jorge sem churrasco???...nunca! |
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
As 45 primaveras...com a chuva do Inverno...
| 45 anos no rio |
Descemos os 3 a ribeira de forma rápida, com uma paragem no meio para a mijoca e a terapia de grupo. Depois do almoço em V. do Rei , antes de voltarmos para minha casa fomos ver caiaques em 2º mão para o Jorge escolher. Fiel à sua reconhecida capacidade de decisão, deu 5 passagens pelos 20 caiaques que estavam para venda, com correspondente alombanço, para conseguir levar...1. Depois desta meticulosa escolha fomos recebidos pelos meus filhotes sentados nos pilares do muro equipados a rigor(capacetes e remos nas mãos) e algo solidificados pelo frio e fatigados pelas 372 vezes(nº de carros que passaram) que subiram aos pilares naquela hora entre o meu telefonema e a minha chegada.
| Recebidos por dois remadores estátuas |
| Um brinde à amizade e a mais feijoadas destas |
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Ainda existem praias destas...
A noite terminou com todas as tendas junto da água, depois de múltiplos calhaus não terem obedecido à teoria do sábio geólogo, e choverem abundantemente em cima dos panos. O único que não se sentiu incomodado por aquela chuva de calhau, foi Justas Crosué, tapado por um simples oleado. Parece que em termos aeroespaciais, os calhaus não conseguiram penetrar na sua atmosfera ressonante.
Olhámos para o Jorge Reis e perguntámos onde estava a arma de caça submarina para nos garantir o jantar, ao que ele acenou negativamente. Na memória colectiva ainda paira uma longínqua viagem de BTT ao Algarve com arma disponível mas sem resultados materiais. Depois de alguns comentários depreciativos, Jorge, no sentido de preservar a sua dignidade, entrou no oceano apenas com a máscara e o tubo, mergulhou e surgiu segundos depois com um polvo agarrado ao pulso. É d’homem! Polvo apanhado, surgia o conflito entre colocá-lo em cima do caiaque para os miúdos aprenderem um pouco de biologia ou colocá-lo em cima da grelha para os miúdos aprenderem truques de culinária. E porque não um 2 em 1? Ou utilizá-lo para adivinhar os resultados do Sporting no campeonato? …nããã é melhor não sofrer por antecipação. Os cachopos ficaram tão embevecidos com a doce criatura a mexer os tentáculos que tivemos de o devolver ao seu habitat.
segunda-feira, 25 de março de 2013
O Regresso ao líquido
Já não metíamos as carnes de molho há quase 2 anos. Várias condicionantes levaram a este flagelo prolongado de secura, mas decidimos parar com o jejum e tirar o bolor dos caiaques. Tínhamos decidido que esperaríamos por condições adequadas às capacidades de cotas enferrujados. Queríamos um caudal não demasiado agressivo e um sol que levasse a pluviosidade para longe da nossa moleirinha; conseguimos ir em 2 dias de chuva torrencial para rios em pré-cheia…boa opção. Desta vez apenas se voluntariaram os 2 do costume , mas com um reforço logístico de peso, que nos poupou das extenuantes corridas finais de recuperação do veículo. Para além disso, o Sérgio disponibilizava-se para oferecer de forma totalmente gratuita, as suas vastas competências no domínio da fotografia no acompanhamento da descida, ele que foi um dos injustiçados por ver o seu nome fora dos prémios “National Geographic 2010”. Finalmente iríamos ter um registo de gabarito, adequado ao nível técnico dos praticantes. O Pedro já não tinha de levar a sua máquina, nem se queixar que ficava mal na fotografia, pois estava escudado por meios técnicos de relevo : fotógrafo experiente e máquina de alta definição…comprada há alguns anos atrás (surgem relatos de um aparelho similar junto do sarcófago do faraó egípcio Tutankhamon).
Optámos por voltar ao Covo, o nosso rio de eleição. Choveu torrencialmente durante a noite, juntando a toda a água acumulada no último mês. A Manhã a chover retraía a vontade de regressar ao rio. Depois do farto p/almoço em C. Daire , rumámos ao rio debaixo de chuva…granda galo!...não me apetecia chuva na chanfradura e ela aí estava. No momento em que nos equipávamos o sol rompeu por entre as nuvens e respeitou o nosso desejo de regresso iluminado; um sinal divino. Deparei-me com graves falhas na qualidade do meu equipamento, que mingou de forma significativa desde a última descida. Rio Covo em grande, com um caudal mais do que generoso seria um banquete adequado.
| A equipa |
| A água, o vestígio do vermelho, o surgimento ténue do laranja... |
| Esta ficou um pouco terra a terra...do ponto de vista artístico |
| Voltámos à arte: os ramos,...a imagem desfocada do elemento,.... |
O Sérgio estava à nossa espera com 2 simpáticos cães. Entre duas lambidelas o cão mais novo sussurrava-me ao ouvido em forma de latido: “Sabes, eu tive agora um curso intensivo de fotografia com este senhor de chapéu esquisito e até fiquei a saber que não podemos cortar elementos, tais como, cabeça, tronco e membros da fotografia…”
Rumámos ao Paiva para atacarmos no dia seguinte o desfiladeiro. Espreitámos o rio de cima e achámos que a coisa levava água a mais para as nossas unhas nos 2 principais rápidos (sem calhau à vista) e optámos por descer a micro-etapa do Vau a Espiunca, no dia seguinte. Na hora de jantar, levámos o Sérgio aos bifes da vaca Arouquesa, que o Pedro lhe tinha vendido como uma posta de vaca mirandesa, naquela fase em que deitava a mão a todos os métodos de aliciamento em busca de apoio (melhor do que ele só Paulo Portas a beijar os buços das varinas). Publicidade enganosa, dizia o Sérgio, olhando para o suculento bife com um desdém similar ao que olhará Kimi Raikonnen para um Fiat 600. Entre queixas da textura da comida, lá papou todo o bife ao som da inspiradora prosa da dona do restaurante que achou muita piada aos seus pixéis. Nem mesmo no momento do relato do familiar que morreu a esguichar sangue pela boca, Sérgio se deixou impressionar e lá continuou a trincar o sangue do bife da tal vaca que não era mirandesa.
| Curso de engenharia civil em 5 lições.... |
Noite de acampamento junto ao rio, numa daquelas tendas que se montam em segundos e se arrumam em largos minutos, mas que são totalmente impermeáveis a enxurradas de água,…cof,cof,…. Pequeno almoço no senhor da padaria de Canelas, onde relembrámos histórias com mais de 20 anos e descida do troço de rio que tínhamos decidido no dia anterior. Troço supersónico feito voando sobre as enormes ondas que se desenharam no rio nesse dia. Foi um óptimo regresso às lides, reforçado com a mais valia da presença do Sérgio e da sua máquina fotográfica, com a garantia de que o brindaremos, numa próxima descida, com uma bela posta de vaca Goesa. Em baixo, as poucas imagens registadas pela fabulosa máquina do artista. A nós resta-nos o justo apelo à revista National Geografic : “Para quando esse prémio , seus artolas?”
terça-feira, 17 de maio de 2011
Águeda Paraíso
Saímos de Torres Novas com calor de verão, chegámos a Almeida debaixo de uma intempérie invernosa com relâmpagos e tudo. Desta vez o Cruise control do Pedro ficou em Lisboa, e voltámos ao pedal control da bomba Ford. No caminho, a potência da bomba foi sendo posta em causa pelos experts da mecânica automóvel, afiançando que a 3ª se ia abaixo, que o motor carecia de compressão, que os pistons não deslizavam, tudo pintelhices (parafraseando um tal economista aspirante a ministro) que se esfumavam na velocidade de ponta do veículo sobretudo nas…descidas…Ainda se fizeram associações brejeiras de uma pseudo-relação entre a falta de potência do carro e a prestação em domínios obscuros do seu dono, …mas o dono passou ao lado.
Chegados a Almofala , na conversa com transeuntes, descobrimos que, para aqueles lados, chovia há 3 dias seguidos, factor a favor do líquido no rio. Espreitámos o rio lá de cima,…bem lá de cima,…porque o rio fica lá em baixo,…bem lá em baixo. Um desfiladeiro majestoso que augurava uma aventura à moda antiga e que parecia ter alguma “áuguita”(ao contrário da 1ª tentativa seca feita há um ano atrás). Decidimos que a 1ª etapa terminaria algures ali em baixo, num caminho que sairia algures perto do rio. Seria fácil identificar a saída vindos do rio?...mas é claro que sim!...afiançava um pastor…Tentámos arranjar boleia para colocar o carro na chegada, sem sucesso. O nosso aspecto seria confundido com um qualquer presidente do FMI a sair da casa de banho, e toda a malta que abordámos em busca de boleia, se fechou em copas, obrigando-nos a ir para o rio sem carro no final…
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Covo em Cruise Control...
Combinámos em cima da hora, uma incursão compatível com as debilidades físicas de quem já não remava há uns meses. O Covo tinha os ingredientes que necessitávamos: diversão, pouca distância e reduzido stress… só faltaria o tempo para ajudar, mas os tipos da meteorologia não tinham compaixão pelo aniversariante e vaticinavam chuva com fartura e ventos fortes. Mas que se lixe! Até porque teremos a oportunidade de conhecer as enormes potencialidades do novo veículo do Pedro. E não fomos defraudados. A viagem foi uma descoberta constante das múltiplas e intrincadas funções do carro arraçado de Concorde. Tudo naquele robot de rodas funciona de forma automática, aspecto que, garantia o Pedro, não lhe dizia grande coisa. “Vocês sabem que eu não ligo nenhuma a estas mariquices,…mas já viram aqui este comando automático dos retrovisores?...” . Mas dentro todas as funções inovadoras do veículo, aquilo que mais sucesso fez, foi o tal do “Cruise Control”, que consistia em manter o carro em velocidade constante, sem se ter o fatigante trabalho de pressionar o acelerador com o pé. A outra vantagem é nunca se passar do limite sobre o qual a brigada de trânsito esfrega as mãos de contente. A substituição do nome “controlo da velocidade” por “cruise control” tem duas funções: a função de internacionalizar para impressionar, na mesma linha do “tration control” (controlo de tracção), do “ligth control” (controlo da iluminação), do “seat belt control” (controlo dos cintos), “Fart control” (controlo do cheiro das bufas malcheirosas com abertura automática dos vidros).
Todos os nomes poderiam ser muito bem ditos em português, mas não tinha o mesmo estilo. A outra razão para a utilização deste estrangeirismo está no próprio “Cruise”, o sobrenome do tal actor que andou a brincar ao quarto escuro com a Nicole Kidman e a Penelope Cruz. É que o indivíduo foi protagonista do filme “Missão impossível”, o mesmo tipo de missão, que representava aguentar o pé de chumbo do Pedro inibido pela limitação do “Cruise control”. O acelerador era para ser pressionado em todo o seu esplendor e as multas…que se lixem… Que saudades do Fiat Panda dos anos 90, que nem tinha “heavy control” quando lhe púnhamos 5 latagões dentro e 5 caiaques em cima, nunca se queixava do peso e das irregularidades dos trilhos de montanha.
Chegámos ao rio sem muita chuva, sem muito vento, sem muito frio e com alguma água. Desta vez eu iria estrear o meu presente de anos, umas calças “secas” encomendadas em tamanho L e recebidas em tamanho M, não por manifesta incompetência do vendedor, mas porque a viagem pelo correio tinha a função de “Size Control” e tratou de as mingar, achando que as minhas adiposidades não eram assim tão consideráveis.
Antes de entrar no rio, percebi logo que as minhas chanatas compradas no Lidl não tinham grande "tration control" e espetei com a bunda no chão e um silvado na mão esquerda.
Estou com dificuldade para entrar neste Size Control







Desta vez a descida não teve grandes oportunidades de recolha de imagens, perdão, “Image control”, isto porque o rio foi descido sem grandes paragens ou reconhecimentos, atestando o “self control” dos protagonistas. De destacar apenas a respiração ofegante do aniversariante após as primeiras remadelas, não por ter feito 42 anos, mas por alguma falta de treino específico da coisa. Com alguma inveja do “Cruise Control” da carripana do Pedro, eu e o Jorge não nos quisemos ficar atrás e testámos também o “Cruise Control” da nossa embarcação , mas coisa descambou em duas valentes caroladas no sólido calcário das pedras do rio. Tínhamos acabado de criar o “Head Control”, pela descoberta de que, tal como nunca se deve entregar o cartão de crédito à mulher dentro de um shopping, nunca se deve entregar o controlo da condução ao inerte caiaque…
Depois de concretizada a fabulosa descida seria a altura para a oferenda de prendas ao tipo que fazia anos. Os amigalhaços lembraram-se oferecer ao aniversariante aquela atractiva corrida em subida até ao carro. Fiquei feliz por se terem lembrado de prenda tão consoladora. Na altura de trincar o bife da vaca arouquesa, a senhora do restaurante tratou de oferecer ao aniversariante o bife bem passado com metade do tamanho do bife dos amigalhaços… Percebi que aquilo só poderia ser "Beef control" da cozinheira, para que as minhas carnes entrassem nas calças secas "size control" . O aniversariante agradece a generosidade…
Valeu o desenho artístico da minha filha no final do dia e a história do “Duende que salvou o dia” desenhada pelo meu filhote. O meu dia de anos foi criado pelo Duende que sabia os ingredientes necessários para me salvar o dia: Começa no Rio com os amigos, termina em casa com a família…
No meio da água
Este é um blogue feito por alguém que experimentou descer rios de dia e que começou a sonhar com eles de noite. É um testemunho feito para todos aqueles que passam com os seus carros por cima das pontes, começarem a reparar, no que passa debaixo delas. São desabafos, histórias de rios descidos dentro do caiaque, das mãos geladas aquecidas com o bafo da boca, de chuvas torrenciais escorridas pela face, de sustos passados debaixo de água revolta, de pedras sentidas no capacete, de dormidas em igrejas seculares ou em ruidosas azenhas, de bifes devorados com um apetite de quem rema todo o dia e pouco come, do sonoro ressonar do nosso amigo que está prestes a levar com uma sapatilha na cachimónia. São dessas aventuras que se aqui contam. A forma de viver o rio, de o sentir na pele, de falar com ele, de lhe chamar nomes feios, de elogiar a sua imponência, de respeitar os seus perigos, de nos fazer crescer com a sua ajuda...
..Na realidade, apesar de toda a descrição poética, este blogue é feito sobretudo para a malta dizer umas baboseiras das nossas lamentáveis descidas...
Videos Roskof Lda
Equipa Maravilha
1993
...20 anos depois
2013
Jorge
Miguel
Pedro
Jorge R
A equipa
Pedro Lyon , também conhecido por Pedro Sopapo na Ponta do Dedos, pela capacidade que tem de atrair o azar permanente de se meterem com ele quando está quietinho no seu canto. Depois da sua delicada e frágil reacção ouve-se quase sempre uma sequência de sons "plaf, plof, ai, ui, foscasse,... vamos fugir daqui que este gajo é grande e um poucachinho agressivo..."; Mantém-se como o irredutível companheiro de descidas, nos 3 dias após o dia do vencimento...
Jorge Justino, apelidado de Jorge Betoneira objecto de produção de cimento, símbolo da preserverança na construção da sua casa, que teve início no século VI D.C. e durará até aos finais dos presente século. O seu ressonar, lembra também ele o trabalhar de uma velha betoneira. Foi ele que nos levou para os rios e nos pegou esse malfadado vício. Actualmente, apesar dos seus inúmeros compromissos com o tijolo da sua casa, o planeamento exaustivo de aulas, conseguimos de tempos a tempos convencê-lo a descer uns rios connosco.
Jorge Reis, passou de Ermita para Agente imobiliário. Viveu numa casa sem água e com pouca luz, para decidir que teria, depois daquela traumática experiência, todas as casas que pudesse adquirir para depois as voltar a vender. Já vai na 4ª e só parará quando chegar à 28ª. Actualmente mora em frente ao mar, preparando a sua próxima compra, provavelmente nos lagos gelados da Islândia. Já não faz rios há muito, muito tempo...
Miguel Sentieiro conhecido por Miguel Lombalgia Acopolada. Acreditou nas balelas de alguém que lhe disse que desporto fazia muito bem à saúde, e passou a adolescência a saltar entre trampolins e redes de Voleibol. Hoje, cada vez que liberta um gás, fica 5 dias sem se mexer. Descobriu que o desporto faz bem é à saúde financeira dos ortopedistas e fisioterapeutas. Apesar dos empenos insiste em arrastar as suas artroses para os leitos gelados dos rios, ...vá lá a gente entender isto...
Um pouco de história...
Para ver quando tiver pachorra...
Com água nas ventas

