sábado, 15 de agosto de 2009

"Justas" nas ondas de Stª Rita


Eu sei que este é um blogue sobre rios, mas à falta de líquido e assuntos fluviais, tenho de fazer uma breve incursão no mar, porque afinal é aí que o rio desagua ...e onde a malta se diverte no verão...

Este post é totalmente dedicado ao Justas que conseguiu ir ao pódio do campeonato nacional de wave ski montado no seu wave....protótipo. É verdade, Jorge Justino da equipa dos velhadas deste blogue, lá conseguiu colocar todas as suas avantajadas e usadas carnes em cima do remendado barco e sair vivo dali ainda por cima com glória.

Combinámos numa 6ª feira umas onditas às 7 da matina para depois assistirmos ao mundial de Kayak Surf que decorria na praia de stª Rita. Estávamos no mar à hora marcada, e ao fim de 45 minutos já eu estava todo roto. Não fazia ondas há muito, muito tempo, e aquele mar estava para se levar com boas e sequenciais bolachadas de ondas na fronha, na passagem da rebentação, só para se merecer uns quantos dropes . O Jorge, por solidariedade, saiu comigo da água, com um olhar de..."ainda há gajos mais rotos do que eu..." e, depois do cafezinho e da bola de berlim da ordem, assistimos ao evento dos "prós" mundiais durante toda a manhã. Na despedida, o Jorge dizia-me que não iria participar no campeonato nacional a realizar no dia seguinte. Eu sabia que o gajo não resistia... E assim foi.
Por motivos de força maior, não pude assistir ao vivo à brilhante prestação do meu amigo, mas decidi pesquisar na net e encontrei este material produzido pela malta dos Wavesurvivors (fotos e video)...





Parece nesta 2ª participação já não surpreendeu os adversários com o seu material high-tech, porque já o tinha feito na prova anterior em ribeira d'ilhas, onde conseguiu chegar às meias finais. Parece que toda a malta se distraiu a tentar classificar a embarcação entre a traineira, a baleeira e um submergível e o Jorge lá foi deslizando de (r)onda em (r)onda. No final toda a rapaziada, queria saber onde descobriu ele aquela máquina voadora com uma pintura moderna a imitar remendos de fibra de vidro. Como todos navegamos em cima de barcos fossilizados similares, já registámos a patente para futura comercialização,...como objectos de património histórico.

Desta vez, no Ocean Espirit, o Jorge lá voltou à carga e arrebatou um brilhante 3º lugar, tendo-me confessado à posteriori que aquela prestação implicou muita trolitada no toutiço e muito pirulito engolido. De facto o mar não estava fácil, com rebentação manhosa, mas Justas esteve ao seu melhor nível...e encheu os cotas de orgulho.


Será que isto aguenta muito mais tempo?...

Baleeiro com patente registada


Na "bomba" ninguém bate a sua volumetria...




Fotos e o video retirados do site da wavesurvivers

domingo, 3 de maio de 2009

O Regresso do Eremita


Era uma vez um reino bué, bué longe, onde havia um rio bué, bué inóspito, onde a água era bué, bué escassa, o acesso era bué, bué íngreme,…então quando é que aparece o Shrek, pá?,…..o desapontamento foi bué, bué grande. Depois fomos para outro reino bué, bué longe, para outro rio bué, bué giro,…nunca mais aparece o raça do Ogre e a princesa Fiona?....onde remámos bué, bué e mais bué, caminhámos sobre carris bué, bué de tempo, acartámos caiaques bué, bué pesados, chegámos ao carro bué, bué tarde, dissemos bué, bué asneiras…Mas o Ogre aparece ou não??? Qual Ogre qual carapuça! A história de hoje vai trocar um papão que come criancinhas ao pequeno almoço e dá bufas malcheirosas por 4 patos que foram papados por dois magníficos barretes e dão bufas malcheirosas(?).

Águeda Internacional - expectativas furadas
Tua – um pesadelo em forma de rio
Paiva - Um cheirinho de rio com sol de verão


A equipa outra vez junta

O regresso aconteceu! Ao fim de 10 anos de secura de rio, eis que Jorge Reis, companheiro de míticas aventuras, utilizador compulsivo de fio dental, coleccionador de sacos de plástico do continente, devorador de cebolas cruas, voltou às lides. Mandei-lhe um toque, convencido que iria levar mais uma nega, quando a resposta inesperada surgiu entre dentes “é uma hipótese”. Estava aberta a brecha para oportunidade do homem voltar ao rio. Acenei-lhe com uma aventura à moda antiga, um rio desconhecido e pouco acessível, regime de autonomia e latas de atum. A reviravolta deu-se e embarcámos novamente os quatro em direcção ao Águeda internacional. Mapas na mão, estudo dos poucos acessos e esperança de um caudal aceitável, lá fomos na noite da véspera, para iniciarmos a descida cedinho.


Quando ainda havia esperança...


...a esperança foi-se com a falta de líquido...



Desta vez não tínhamos nenhum apoio por terra; parece que a última experiência do João foi de tal maneira traumatizante que fugiu para a Serra Leoa e nunca mais foi visto. Acampámos num qualquer canto algures perto do rio e desta vez fiquei a chonar no carro, longe da tenda do Jorge Justino. Achei que tinha chegado a altura de não proferir mais nenhum comentário sobre uns ruídos proferidos durante a noite, para não bater mais no ceguinho, logo não vou contar a parte do ressonar que conseguia transpor os vidros herméticos do meu veículo e ecoava no interior dos meus tímpanos flagelados.

Tenda Durex

Acordámos cedinho e já o Jorge Reis tinha posto a sua banca multivitamínica sobre o caiaque composta por tomates crus, ovos cozidos, cereais, fruta, tâmaras tunisinas e bolinhos feitos pelo filho. Misturou aquilo e conseguiu ingerir tudo, qual Ogre, na hora do massacre. O envolvimento era fabuloso, como fabulosa era a nova tenda do Justas em forma de preservativo. Descemos até ao rio sem caiaques para nos depararmos com o que já tínhamos percebido de longe…muito poucachinha água. Ao inspeccionar um rápido sifonado, a máquina saltou-me do bolso e foi mergulhar no leito com o intuito claro de se suicidar no meio dos calhaus; já não conseguia suportar mais ser maltratada pelo dono. Posteriormente, depois de uma reanimação ao sol, percebeu-se ser anfíbia.



A mixórdia matinal


Para onde a minha máquina queria nadar...


tomatinho entre ovinhos


Caminhámos cabisbaixos percorrendo a íngreeeeeeme subida e, chegados ao carro, decidimos que iríamos descer um rio mais à mão que nenhum de nós tinha feito; o rio Tua. Entrámos na ponte de Brunheda e começámos a remar o “inferno branco” como alguém lhe chamou. O inferno existia de facto, e, curiosamente, também existiam muitos poléns brancos a esvoaçar junto às narinas. Remámos que nem uns Ogres, ou antes, que nem uns camelos, para irmos encontrando espaçados, alguns rápidos engraçados. Lembrámo-nos por momentos das intermináveis aquecidelas do Guadiana. A paisagem era realmente muito bonita e as enormes escarpas laterais vaticinavam a sina “se quiseres sair daqui vais ter de caminhar muito”.



No inicio só flores...



depois foi remar...



remar...



P´ra cortar a monotonia







Apeadeiro para lembrar...ou esquecer...

E assim foi. Cansados da euforia do rio, e com a hora a ficar para o tarde, decidimos sair no apeadeiro abandonado da linha do Tua chamado Castanheiro. Escondemos os barcos e seguimos a pé por cima da linha do comboio para irmos buscar o carro. A caminhada fez-se de passo condicionado pela largura dos carris, mas mesmo com esse empeno, a paisagem era fabulosa: belos seixos entre barrotes de madeira, apertados entre dois carris, davam um cunho romântico ao esforço, isto porque se retirássemos os olhos dos ditos barrotes os pezinhos ir-se-iam queixar muito. Apesar da Locomotiva Castro ter imposto um ritmo alucinante aos seus vagões, demorámos duas horas a chegar ao carro, com a certeza de que poucos conheceriam melhor a linha do Tua do que nós. Entre as discussões finais, vinha a questão se o barrote 2543 seria mais bonito do que o barrote 4187, havendo sempre alguém a dizer que o parafuso ferrugento é que dava beleza ao barrote 11430. Mas se a caminhada assumiu contornos de profunda autoflagelação, o que viria a seguir daria cabo do resto.



128 barrotes...
673 barrotes...

1850 barrotes às escuras...


Muitos barrotes depois...


Ajudados por um senhor local encontrámos o difícil acesso em terra batida ao apeadeiro do Castanheiro. “Mas o vosso carro não vai lá abaixo!” garantiu o senhor. Fomos descendo de carro até onde a sua tracção aguentou, mas chegou um ponto onde não dava mais. E esse ponto era bué, bué longe do rio. Demorámos muito tempo a descer com as articulações a ranger e, já de noite, começámos a acartar os Ogre de plástico com toda a roupa molhada dentro, por ali acima. Desculpem, mas esta parte eu quero esquecer, como tal ficará aqui apenas este hiato,..........................................................................................................................................................
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....................................................E, pronto. Chegámos à carripana às onze da noite, com a certeza que pior do que aquilo só ser papado por um Ogre verde esfomeado. O inferno branco afinal tinha-se revelado como um lamentável inferno negro.



Sem forças para libertar uma bufa... talvez o "peido mestre"


Estávamos nas últimas, as nossas células pedinchavam um naco de carne e muita gordura, mas a grande questão seria a de saber onde se poderia trincar chicha àquela hora. Encontrámos um sítio em Alijó que faz francesinhas até às duas da matina e aspirámos aquela pasta hipercalórica em menos de meio fósforo. Ainda ouve alguém que chegou a dizer que o molho tinha um sabor a puxar para o azedo, mas ninguém se importou.



Acampámos algures e acordámos todos partidos sem grande ânimo para mais barretes. Olhámos no mapa e, desconfiados que a água não abundaria nos rios do Minho e arredores, decidimos rumar a casa e a caminho dar uma mergulhaça rápida no Paiva. Agora seria aquela parte em que se faria referência aos sacos de plástico espalhados pelo carro fruto da sensibilidade que Jorge R tem para a arrumação mas, no sentido de preservar a sua presença na equipa em futuras descidas, vou apenas dizer que o tipo até é muito arrumadinho e aquela casca de ovo que ficou colada nos meus calções não veio do interior de uma das suas 4 caixas de plástico perdidas no veículo . Ia pensando se não tinha enganado o Jorge quando lhe afiancei que a aventura era “à moda antiga”. De facto, antigamente também metíamos grandes barretes e levávamos grandes aquecidelas, mas não havia net, nem guias de rios, nem boletins meteorológicos precisos.
Chegámos ao Paiva já tarde, e ao passar por cima da ponte de Alvarenga, vimos bué, bué malta a entrar no desfiladeiro. Estava a decorrer o festival do Paiva, com forte adesão. Optámos por fazer a micro-etapa do Vau-Espiunca para regressarmos cedo a casa. O tempo esplendoroso, calor de verão, fez com que entrássemos no rio de fato de banho, sempre com o olhar atento do Pedro e do Jorge em busca da minha barriga proeminente, para me confrontar com as ténues adiposidades similares às deles. Claro está que, apesar do esforço, os consolidados abdominais, não deixaram margem para gozo com a barriga alheia. Apenas tive de suster a respiração sempre que o olhar apontava na direcção.
O regresso do eremita



Barriga, eu???...Pronto ó Tarzan taborda, já podes parar de suster a respiração!!!




Kayakus Erectus






Quanto à descida, deu para reinar no caudal aceitável do Paiva , dispensando talvez a corrida final para ir buscar o carro desta vez acompanhado pelo Jorge Reis. A aventura, essa acabou como têm de acabar todas as aventuras à moda antiga: em frente de um prato com uma vitelinha grelhada, e batatas fritas afogadas na molhanga. Os 4 Ogres arraçados de patos, paparam a vaquinha arouquesa e viveram felizes para sempre….isto até alguém ter ousado soletrar a palavra CASTANHEIRO…



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Carnaval no Rio...


É possível que tenham chegado aqui equivocados. Pesquisaram no Google, em busca de umas moçoilas a abanar os nadegueiros no sambódromo de Ipanema, mas vieram parar a este espaço, onde os rabos estão comprimidos entre um fato isotérmico e os acentos de barcos a remos. Não percebem o porquê desta imagem bucólica do carro com caiaques com a montanha de fundo, quando deveriam dar logo de caras com as mamocas da Josemar aos saltos. Para si, que pensava descobrir imagens picantes do carnaval no Rio de Janeiro, e descobriu que este Carnaval no Rio é em… Fevereiro, pode ter duas opções. Ou diz já umas asneirolas no mais vernáculo calão e passa para o outro lado do atlântico atrás de estímulos visuais mais estimulantes, ou fará o frete de ficar e ter de gramar com o rol de baboseiras que aí vêm.









Tudo começou, como começam todos dias do vencimento: com uma sensação de quem nos tira a mão que estava há longos dias a obstruir as vias respiratórias. Com a tesura generalizada e enraizada, tínhamos a certeza que se não fossemos logo no dia 23, as hipóteses de descer rio, rapidamente se esfumavam. Não fazíamos uma descida a sério, desde que o Pedro se espatifou no Cávado, ou seja, desde Maio. Desta vez a equipa dos “entas” tinha mais um reforço de peso: o João Oliveira, que nos iria dar apoio fora de água. O facto de eu dizer aqui publicamente que o João é um tipo do melhor que há, não solta um gás, não ressona nem um bocadinho, nunca se perde, está sempre à nossa espera, nada tem a ver com uma estratégia de bajulação descarada no sentido de evitar que tenhamos de continuar a correr para ir buscar o carro no final. Na realidade Já não temos idade para isso, nem o João tem idade para não se pirar de vez em quando, das tarefas tão absorventes de “Pai Amigo”. Os bifes de Alvarenga foram também uma preciosa ajuda, para no próximo rio termos novamente o João connosco.




Não sei o que é pior, se estar aqui a aturar estes gajos, ou levar os putos às actividades...

Não sabíamos caudais, mas arriscámos uma ida para os lados de Mondim, para ver se seria desta que conseguíamos navegar o Beça…não foi ainda desta. Para começar, queríamos desenferrujar num rio mais suave e optámos pelo Olo. Já o tínhamos feito há uns anos e cedo percebemos que o caudal era assim a modos que poucachinho…Deu para remar, apreciar a água cristalina, mas uma nuvem de pessimismo assolou o espectro do Beça.





A equipa está de volta!




RIO OLO...poucachinho...






Pagaia ergonómica, patente registada



Para isto acabar em beleza, só falta bater com a cabeça num tronco e apanhar com um tipo de 100kg em cima...


Geraram-se algumas discussões em torno do pensamento fulcral “Quem foi o camelo que achou que valia a pena fazer um porradão de quilómetros, para ver este monte de pedras chamado Beça?”. Como é óbvio, se o camelo tem o poder de escrever no blogue, rapidamente diz que a culpa é dos gajos que não mandaram chuva, do gajo da barragem que não abriu as comportas, do gajo que desenhou o mapa onde o rio aparece, da conjuntura internacional. Até porque, como o gasóleo está mais baratucho, há que aproveitar. Aqui o, (camelo), digo, o tipo extremamente inteligente, pôs à consideração da malta a hipótese de rumarmos até ao Minho para remarmos o Cávado. A malta concordou …
Dirigimo-nos até à fabulosa Pousada da juventude de Vilarinho das Furnas no Gerês. O quarto era óptimo, as condições do melhor, o preço agradável, a minha memória…curta(?). Tinha definido que nunca mais passaria pela traumática experiência sísmica do “doce” ressonar do Jorge nos meus delicados tímpanos, mas facilitei e acabei a noite a dormir no carro.





A casa onde (não) dormi....



ponto de encontro




No 2º dia, lá fomos a caminho do Cávado, guiados pelo mestre da orientação, que nos levou a optar por outros caminhos mais sinuosos…
Chegámos ao rio por volta das 12 e, para nossa surpresa, deparámo-nos com um movimento pouco usual. Naquele dia, sem nada termos combinado, iríamos ter muita companhia no rio. Estavam lá os nuestros hermanos de Braga e a rapaziada de Mondim. Lembrámo-nos por momentos das nossas primeiras remadas no Guadiana com grupos sempre numerosos, onde a animação estava sempre garantida. Com as características do rio, estreito, inclinado e por vezes obstruído, houve espaço para vários engarrafamentos, o que tornou a descida um pouco mais demorada do que o habitual.






É comprar, é comprar! os verdes a 5 eurios! os amarelos a 10




De bicla ou de caiaque?































Explicada a hominização



O rio estava com menos água do que aquando da nossa última descida, o que tornou a primeira parte bastante mais penosa. Deu para passar quase tudo e ir confraternizando com os nossos companheiros de descida. Percebi finalmente a profundidade da campanha disputada pela presidência do 18 e companhia, que assumia contornos extremos, com os dois principais candidatos a fazerem de tudo para suplantar o opositor. Assim, ao ver o Carlos lançar furiosamente a proa do seu caiaque contra um calhau, demonstrando que possui coragem para enfrentar qualquer desafio , o Luis não foi de modas e, recusou auxílio na hora do aperto, decidindo aguentar de forma estóica dentro de uma marmita só para salvar a…sua pagaia(?). A campanha continua renhida…
De enaltecer também a capacidade volumétrica do bidon do Pires, que, qual mala do Sport Billy, conseguiu armazenar tudo o que um canoísta esfomeado poderá desejar. De presunto, a chouriço, a pão e azeitonas, passando por vinho regional, uns queques para desenjoar e até pastilha sem açúcar para lavar as dentolas.





Bidon Sport Pires Billy




Depois de termos exorcisado os fantasmas da nossa anterior descida do Cávado(com a luxação do ombro do Pedro), acabámos refastelados numa mesa em frente a um repasto à moda do norte. Poupo pormenores, para não causar sentimentos de inveja, mas que aquelas alheiras e os nacos de carne estavam uma maravilha, lá isso estavam. Despedimo-nos da rapaziada e rumámos aos nossos luxuosos aposentos. Jogámos uma snookerada, o tempo de perceber que o mestre do snooker, tinha uma técnica muito refinada , apenas revelava com um pequeno déficit na hora de meter a bola dentro do buraco; mas a técnica, essa, simplesmente irrepreensível.
Tinha chegado a hora da sorna e, depois de conseguirmos ter despachado o Jorge para um quarto insonorizado, encarei a tarefa de dormir um pouco mais à vontade,...ou talvez não. É que o Pedro, por uma questão de solidareadade decidiu substituir o betoneira mor e vai daí, abre também ele a bocarra, para arrotar um sonoro ressonar. Um mal nunca vem só. Rebolei pasra um lado e para o outro e não conseguia pregar olho com tamanha turbulência auditiva. Seria a 2ª noite que estava entalado, mas lá abanei o Pedro que, contrariado, lá cambaleou até junto do seu nocturno irmão tenor. Eles ainda me chamaram de princesa da história com a ervilha. Comparar-se aquela alarvidade vocal com uma insignificante ervilha , seria blasfémia; quanto muito com uma melancia debaixo do travesseiro. Percebi que os mestres da orientação e do snooker afinal eram mestrados em atazanar de forma sísmica as noites calmas de indivíduos mais sensíveis.




Mestre do Snooker




Despedimo-nos do Minho e passámos pelo Paiva antes de voltar para casa. Perante o panorama dos rios transmontanos e minhotos , esperávamos também pouca água no paiva. Puro engano! O caudal estava um verdadeiro luxo; mesmo a puxar para o cheiinho. Entrámos no desfiladeiro e percebemos ao vivo da jarda que levava aquela coisa. Se o rio Cávado valeu pelo convívio e pelo desnível, o Paiva foi o rio deste périplo carnavalesco. Era a peça que faltava para estes dias ficarem perfeitos. a beleza do olo; a imponência do Cávado e as águas bravas do Paiva, tudo isto acompanhado com muito sol . Uma maravilha.

Fizemos poucas imagens, mas aqui ficam elas...








Daqui a um mesinho, talvez dois, consigamos voltar ao rio. Por agora estou de papo cheio...








Vá lá mestre, tu consegues!!!...


sábado, 3 de janeiro de 2009

Enta(s)...lanços


A vida tem destas coisas. Um gajo não se livra de chegar à tal idade que ninguém deseja alcançar. Não por existir um golpe de mágica degenerativa, que transforma um vigoroso atleta num artrítico ser, num abrir e fechar de olhos, mas porque se estigmatizou que os 40, representam a entrada na curva descendente da vida. Na realidade , em termos de maleitas físicas, os 39 representaram para mim um dos piores anos. Espero que não seja um augúrio para a entrada nesta malfadada coisa dos entas... De qualquer das formas tinha decidido que passaria o meu dia dos 40 anos de vida dentro de um rio. Tinha de forçar os meus amigalhaços a partilharem comigo essa comemoração, facto que se adivinha cada vez mais puxado a ferros (é que os gajos já passaram os 40 há alguns anos e estão a assim a caminhar para a pantufinha e o café com cevada em frente à televisão). Na realidade os amigos agora estão mais vocacionados para a neve e, lá me desencaminharam para fazer uma perninha no dia anterior, numas descidas na montanha em cima da prancheta. Tive assim a oportunidade de passar o que restava dos meus 39 anos a dar cuzada e cabeçada pela montanha abaixo. A coisa até correu melhor do que eu esperava, apesar da triste figura que fui obrigado a fazer, para conseguir apanhar aquele teleférico versão "panila", onde um gajo tem de meter uma borracha aconchegada nas bordas do traseiro e esperar pelo "esticão". O Pedro deu-se bem com a técnica logo nas primeiras vezes... questões de disponibilidade para a coisa... Deu gosto ver os meus sobrinhos, quais prós do snowboard, a deslizar na gazua pelo declive e a dizer ao tio que o esperavam lá em baixo. O Jorge, já numa fase mais evoluida, foi para Espanha reinar nas pistas das pampas...



Os "prós" nas pontas e o... outro... no meio





Até a apertar as patungas o tipo não é lá grande coisa ...

Bom mas voltemos ao que interessa. Aos meus 40 anos no rio. Para compensar a chuva que apanhámos na carola no topo da serra, um dia de sol para um rio predilecto...o Covo. O rio estava esplendoroso, fantástico, um caudal de fazer inveja...



...Pronto!...agora que já passei por um breve exercício de auto-convencimento, de alguém que fez quarenta espampanantes anos e mereceria melhor sorte, chegou a altura de assumir que...o rio estava,...ora bem,...como hei-de dizer,...uma Trampa!! É verdade, tudo começou com a porra dos cães!? a fuga dos meus cães arraçados de jumentos (pela envergadura e capacidade intelectual) e do cão do Pedro arraçado de Ogre muito bem educado; obedeceu à ordem do dono "vem já aqui!", uns minutos depois...Mas o mais curioso da história é que o ogre de 4 patas, veio apenas depois de sentir o imperceptível odor emanado pela cagadela do Jorge (parece que o canídeo estava já a uns 5 km...). Senão fosse esse promenor intestino-temporal, da vontade súbita do nosso amigo para defecar, e a esta hora o Shrek ainda estaria perdido no matagal. É caso para dizer "salvo pela bosta".

Como não acredito em Karmas, não liguei a este início conturbado da viagem e lá fomos até ao rio Covo. A opção parecia acertada, tinha chovido torrencialmente durante 3 dias e o Jorge não conhecia o rio; seria um bom dia para o conhecer. Quando chegámos percebemos que não teria lá muita água,...mas arriscámos...



O rio está catita...



04 anitos


Até parecia um bom início...



... até à 1ª entaladela



Água em barda...




Depois de entrar na água foi o que se sabe; calhau ali, entaladela acoli, raspadela de acolá. Perspectivava-se que metade dos nossos barcos ficariam fossilizados nas pedras do rio covo. Depois de duas entaladelas, comecei a acreditar no Karma e passou-me a sensação de que aquilo poderia ser um sinal de que , a partir dos 40, iria ser entalado muitas vezes e essa ideia não me agradou muito. Expus ao grupo a minha opinião: "entre ficar repetidamente entalado e entalar os dentes num bife de vaca arouquesa, qual a opção a seguir?..." O Jorge estava por tudo; o Pedro achou que poderíamos arrastar o traseiro durante mais algum tempo,...o tempo suficiente para se fartar também daquilo.




2ª entaladela


Isso! de marcha atrás! agora desvira, desvira...



Ele há cada peco,...dá mas é cá mais um eurio, que isto de arrumar o veiculo dos outros é mais caro...




Eh, eh, mais uma entaladela...



Buáááá...eu nã quero enta...ladelas...


Quem foi o camelo que me obrigou a vir para esta merda???


Abortámos a descida ao fim de umas quantas entaladelas. Rumámos a alvarenga para resolver a questão da chicha em cima do prato.


A caminho da bifanga


No caminho percebemos que o Paiva também não tinha água (na parte do sexo ups) e que apenas teria dado para descer o desfiladeiro.


Ao trincar o bife de alvarenga e depois de muito paleio, percebemos que a viragem dos entas nos leva para esta opção bastante digna e sábia de distribuição proporcional dos prazeres mundanos. Cada vez menos rio e cada vez mais trincadela na vitela. Não é mal pensado, não senhor, embora cá p'ra nós eu ainda não tivesse conseguido assumir em pleno essa proporção; é que o rio ainda nos faz um bem tremendo ...ao ego, apesar de alguma discordância das malfadadas artrites

Ficamos à espera de mais....


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Senilidades

Cheguei a V. Cambra, deixei a mulher e os filhos e dei uma saltada ao paiva. O tempo chuvoso teimava em retirar-me a vontade de dar um mergulho, mas como sou teimoso lá fui. Não me apetecia mandar grandes cambalhotas; apetecia-me sobretudo descer qualquer coisa para tirar a ferrugem da disponibilidade para remar. A etapa Vau-Espiunca em solitário seria o ideal para voltar à carga. Cheguei à beira rio pelas 15,30h. Apressei-me em desmontar o caiaque, vesti o fato, colete, saiote...saiote??...onde está o saiote?...porra!!!...grande besta!...tinha-me esquecido do saiote em Torres Novas. Apetecia-me partir para a auto-flegelação, quando olhei para o tempo escuro e chuvoso, e pensei: talvez não seja tão mau assim. Voltei a montar o caiaque em cima do tejadilho e a moínha da teimosia voltava para me atazanar o espírito quase convencido. Rumei ao areínho na esperança de haver um canoísta que me facultasse o objecto anti-submersão. Vi muitos carros parados, sinal de que haveria malta a descer. Voltei a espiunca e lá estavam eles a chegar. Pedi um saiote ao primeiro canoista que vi , que rapidamente o dispensou (um agradecimento ao Rui Calado pela disponibilidade). "Vou ali remar um pouco e já tu devolvo!" disse apressadamente, que já estava tarde. Ainda dei uma palavrinha ao amigo Luis Vieira, que vinha nesse enorme grupo, e corri até ao rio. Desci aos 3 saltinhos e entrei no rio às 16,30h. Subi mais um pouco, escorreguei e mandei um bate cu e uma cotovelada num calhau. Veio-me à memória o espalho do Pedro. Pensei que uma luxação ali sozinho significava uma lixação ali sozinho, ou seja, um valente molho de bróculos. Não podia pensar nisso, remei um pouco, dei poucas cambalhotas e desci. Pretendia testar uma lesão no ombro que me persegue. O ombro continua lixado, ...mas que se lixe. Vamos ver quantas descidas consigo fazer este ano, assim... preso por arames.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Com sal pelas ventas...


Existem dias assim. Existe qualquer coisa que nos vem incomodando, uma espécie de moínha que nos massacra a boa disposição. Falta-nos água, o reboliço do espumaço. Vou a Lisboa e meto o caiaque dentro do carro, pelo sim pelo não. Tinha um pressentimento que ali havia o que precisava. Os amigos estavam lá à espera, para me levarem à praia onde vamos algumas vezes quando queremos curar as agruras do dia-a-dia . O Guincho estava ali, envolto em nevoeiro, sem ponta de vento...?...As ondas, médias a puxar para o quebra-coco, mas não interessava. Queríamos remar, deslizar, sentir o espumaço no trombil. Era o retorno do Pedro após o percalço no cávado, que ainda lhe vai valendo sessões de fisioterapia todos os dias. Agora estávamos ali os três, sem ninguém nos ver, de volta à água, a fazer ondas, um ritual que começámos quando começámos a canoar no guadiana no ano de 1989. Íamos com os nossos primeiros elefantes de plástico para a praia de Carcavelos, descer por elas abaixo, sem nenhum de nós imaginar o que seria fazer esquimotagem. Cada capotadela representava uma vinda à areia esvaziar o submarino para que pudesse de novo emergir. Como aquilo sabe bem; a água estava vazia de malta, mas cheia de sal. Cada chapada da água do Guincho na iris , correspondia a um saudável ardor dos olhos. Voltámos às lides em conjunto. O Jorge precisa de arranjar um novo wave-ski, porque o seu fóssil já não flutua com a sua massa corporal. Apesar disso, o Jorge na onda é sempre o Jorge na onda; aquela onda que o vi fazer já não me lembro há quantos anos, na praia do Béltico com um mar louco; alto, muito alto e alucinado. Eu tinha feito a minha única onda e cheguei à praia aos trambolhões sem metade do wave-ski; o Jorge Reis não conseguiu entrar de body board e observávamos o Jorge a surfar aquela onda enorme, perdido qual grão de areia numa monstruosa massa de água, a deslizar de forma fluida, sem pressas. E nós no Guincho exaustos, ao fim de pouco tempo. A idade já vai pesando, as costas doendo e não há maneira de passar este vício, esta maldição prazerosa de nos conduzir ao rio ou ao mar, para levarmos umas bolachadas. Ainda bem que estamos aqui no Guincho, os três imberbes quarentões a rirmo-nos não sabemos bem de quê, mas como isto sabe bem...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Amolgadelas


Estou a escrever a nossa descida do fim de semana e não sei bem o que dizer….As perspectivas eram a melhores... Conseguimos ir em período pré-salário que é o mesmo que dizer, período pós-penúria. Endividámo-nos com receio de que fossemos encontrar escassez de líquido daqui a uma semana.
Desta vez fomos os três: Jorge, Pedro e eu. Metemo-nos no carro e decidimos que iríamos lá bem para cima (eles disseram que eu é que decidi, mas é tudo treta desses malandros)…Já me esquecia,…eles têm-se queixado que eu tenho batido muito neles neste blogue, e eu vou tentar ser mais meiguinho, portanto, esqueçam lá essa parte dos “malandros” e ponham esses “excelentes rapazes”,…e já agora, esqueçam a “treta” e substituam por “a mais pura das verdades”. O plano traçado em cima do joelho, consagrava uma ida ao Cávado no sábado, para no domingo rumarmos ao Beça. Não tínhamos qualquer noção de caudais, mas esperávamos uma correnteza agradável, proporcionada por este Maio Adezembrado. À medida que os quilómetros iam passando, percebíamos que o rio tinha mesmo de valer muito a pena. A vantagem dessa loooonga viagem é que pudemos dizer mal à bruta dos Sócrates que nos entesa a cada dia que passa com a porra do deficit e que mais um anito e já só podemos descer rios nos meses do subsídio de férias,…parece que depois dos tipos conseguirem a meta de colocar o litro de gasóleo nos 2 euros até ao final do ano, vão dizer que o subsídio é um perigo para a saúde pública e tem de ser combatido.



Lá conseguimos encontrar o cávado depois de pisar muita bosta de vaca. O dia parecia querer colaborar; umas nuvens com o sol a espreitar davam o mote para uma boa descida. Primeira parte do percurso muito boa para desenferrujar a remada e depois é sempre em crescendo, com bonitas passagens, uma ou outra com mais inclinação, mas sem problemas. Parámos junto ao primeiro tobogan de enorme pendente à direita. Depois de alguma reflexão decidimos não fazê-lo,…mas a tentação foi muito, muito grande.





Foi com alguma inveja dos comentários fervorosos feitos à imagem da fabulosa máquina do Pedro, que eu decidi levar a minha esplendorosa e ultra-mega-pixel kodak com captação automática de enorme definição até das micro-pulgas no dorso de um canídeo. Seria um enriquecimento de monta na reportagem fotográfica . Levei também comigo uma caixa estanque do mais inovador que tem sido criado,…a sua marca?...tupperware!!! E não é que os tipos têm mesmo razão quando dizem que aquilo é mesmo estanque. Pois é, sim senhor…







Num rápido com algum pendente o Pedro quis fazer um teste de resistência ao seu material Wave-sport e vá de lançar com toda a fúria e os seus irrisórios quilitos, a proa da embarcação contra um calhau para ver no que dava. Deu numa reformulação tecnológica da frente do seu Habitat. Parece que é uma nova tendência em estudo pelos desenhadores da marca americana para os barcos do creek moderno… O Dono da embarcação é que não ficou lá muito contente e vá de mandar umas bojardas valentes em jeito de Karaoke…(eu também prometi que não falava nas capacidade vocais do Pedro para o Karaoke)…portanto esqueçam lá isso e troquem o “em jeito de Karaoke” e ponham lá “em jeito de Valentim Loureiro” .





Antes da amolgadela...


Depois da amolgadela e antes da outra amolgadela...


Que saudades do prijon...


Começou a chover, o que não era muito bom para a aderência naquelas pedras lisinhas das margens. Parámos para inspeccionar o salto, e o meu barco quis partir para o saltar sem o dono em cima (parece que o dono só atrapalha). O dono zangado gritou “Baaaarco” e o Pedro, correu solícito para o alcançar e Trum!…uma enorme escorregadela,…pernas no ar e braço em cima do calhau. A gravidade exercida pelos seus 100 quilos fez o resto. Um grito ecoou pelas escarpas. A princípio ainda nos apeteceu dizer, “Seu brincalhão! Deixa-te lá dessas traquinices!....vá, agora levanta-te e vamos ao que interessa!…”, mas ele continuava no seu calvário de dor. E aí percebemos que a coisa era feia. Desconfiámos de uma luxação do ombro e tentámos pôr aquilo no sítio, mas, depois de algumas marteladas, não conseguimos. O Pedro contorcia-se de dor ao mínimo movimento e foi aí que começámos a inspeccionar a retirada de emergência do rio. Olhámos em volta tudo era escarpado e agreste. A coisa estava negra. Não havia alternativa senão tentarmos subir aquela subida…classe…muito íngreme. Antes do acidentado pensar em negar a subida, disse-lhe logo, que poderia escolher entre aquele caminho no meio do silvado ou a minha reprodução em Karaoke do “deixa-me rir” do Jorge Palma. Ele lá foi…Sem catana para desbravar todos aquele matagal, fomos conquistando metro a metro na esperança de contacto com civilização. Demorámos cerca de meia hora até encontrarmos um antigo armazém em ruínas. Conseguimos chamar a ambulância que levou o Pedro até ao Hospital de Montalegre. Parece que os bombeiros, adeptos do todo-o-terreno, decidiram sujeitar o paciente a um trilho ao jeito da Mauritânia e a cada buraco que saltavam, o Pedro sentia-se mestrado em faquirismo. Em Montalegre, o médico que olhou para a luxação, fez a cara que um bovino faz quando lhe perguntam qual a raiz quadrada de 79(?). Não mexeu em nada…com medo de falhar na prática, a matéria do volume dois de anatomo-fisiologia que ensinava “Como pôr o osso no sítio em duas lições”. Mandou-o para o hospital de chaves,…outra vez em Todo-o-terreno…mais umas facazitas espetadas.
Eu e o Jorge arranjámos boleia para o carro e fomos ter com o Pedro. Decidimos que só iríamos resgatar os barcos no outro dia de manhã. Chegámos ao hospital e o Pedro ainda estava deanbulando entre o Raio X e o gabinete médico. Enquanto esperávamos debatíamos as nossas preocupações quanto ao estado de saúde do nosso amigo: “Esperemos que lhe ponham rápido aquilo no sítio que a gente tem de ir trincar a vitelinha!” .

Ele saiu com o braço ao peito e falou-nos da relação intimista que estabeleceu com o médico a sério (daqueles que até mexem no paciente) que o recebeu. Parece que ele lhe fez umas meiguices e depois “Trac!” ….(Como já perceberam Trac é o contrário de Trum). A coisa voltou ao sítio e nós já podemos trincar a vitelinha descansados. Ao longo do jantar o Pedro não se coibiu de reforçar a meiguice do médico, …e agora que eu ia novamente entrar em associações brejeiras,…lembrei-me de manter o nível e reforçar que o médico era um excelente ortopedista de seu nome Matos… Paiva (sintomático).
Ó p'ra mim aqui tão....coitadinho... cheio de dores...e o doutor era tão meiguinho


Depois de uma noite em som estereofónico entre o ressonar …perdão …a respiração um pouquinho sonora do Jorge,…e o ressonar …perdão…a trepidação imperceptível do Pedro, fomos resgatar os barcos. Descemos eu e o Jorge pelo silvado novamente e iríamos descer o resto do rio com os 3 caiaques, enquanto o Pedro nos iria buscar de carro à central. Optámos por não fazer o salto onde tínhamos ficado (um era escasso para garantir a segurança do outro) e depois, íamos à vez descendo os rápidos seguintes. Curiosamente a secção central, até ao mega tobogan foi a que se passou melhor, com 3 passagens magníficas. Depois daí, a coisa foi-se complicando, porque em alguns casos não dava para passar dentro do barco. Foi a fase da agradável alternância entre canelada, cotovelada, cuzada, joelhada nos calhaus. Ainda tivemos a esperança que o mostrengo …perdão…o volumoso caiaque do Pedro ganhasse pernas, e qual cavalo nas corridas de Ascott prosseguisse até à meta sem cavaleiro. Mas não!...acartámos à bruta com aquele volume todo.
Chapppp....


Um dos mais divertidos rápidos


Chapppp...



O sacana do mono...perdão...do volumoso,...não quer andar nem por nada...



O VIDEO Aqui



Acabámos o Cávado em dois penosos dias, em frente de mais uma vitelinha do melhor. Ficou-nos este sabor agridoce da beleza do rio e do ombro lixado do Pedro, e do cotovelo também, por não ter feito a segunda parte connosco dentro do barco. Lá voltaremos…para fazermos o pleno…



domingo, 13 de abril de 2008

Eu vi um sapo...


Esperávamos por este dilúvio há já algum tempo. Metemo-nos no carro e rumámos em direcção ao Covo. Tínhamos pensado no Cávado inicialmente mas como só ia o Pedro e eu, o Cávado era longe como camandro, ou seja, ao Cavado ficava caro como camandro. O Jorge?...bom, é com enorme mágoa que terei de admitir que o Jorge…defecou em nós. Trocou-nos por um dos 5538 reconhecimentos que já fez a 3214 barragens ou a 2324 trilhos de montanha por esse país fora. Um dia de eleição para rios de eleição e o gajo vai para o meio do mato fazer reconhecimentos?...só se os reconhecimentos tivessem umas coxas muito engraçadas e um busto bem firme e definido. Se assim for estás perdoado…
Não tínhamos a presença do Jorge no carro mas tínhamos a companhia de uma alegre e desinibida mosca. Ora pousa no vidro, ora esvoaça para o volante, ora aterra na cara, ora zumbe nos ouvidos. Enfim, um ser extremamente atraente e enérgico. Estaria feliz por finalmente alguém a levar a passear para fora desse marasmo onde apenas vê árvores e cagadelas de pássaro.
Depois de chamarmos uns nomes feios ao Jorge por nos ter trocado por um par de coxas, de espantarmos 50 vezes a mosca, do Pedro fazer umas imitações fiéis do criolo falado na sua escola de Chelas, chegámos a Castro de Aire para comermos “alguma” coisa antes de entrarmos na água. Tínhamos em mente fazermos uma espécie de dois em um. Como tínhamos apenas um dia, faríamos o Covo primeiro e depois escolheríamos entre o Tenente e o Águeda, dois rios ali perto e que, tal como o covo apenas se fazem com caudal elevado.
Chegámos ao rio e percebemos que o frio era muito, talvez daí a mosca não estivesse com muita vontade de abandonar o veículo. Ainda insisti com ela “Olha que aqui é muito bonito! existe ali água, umas ovelhinhas a pastar, uma aldeia muito engraçada, umas varejas reluzentes…até podes sentir este vento nas tuas asinhas…A mosca não estava para aí virada e ficou-nos a guardar os valores. Ainda bem, porque com a ladroagem que p’raí anda nunca se sabe. E assim se um gatuno se atrevesse a invadir o veículo levava logo com umas agressivas zumbidelas do canal auricular que logo se punha em fuga.


Ainda abrimos as portas a ver se a mosca saía...


Ó Miguel Não queres fazer uma troca?


O rio Covo estava mais uma vez esplendoroso. Com muita água para nos garantir diversão. Começa logo com uma sequência boa para nos fazer abrir as pestanas e depois é sempre bom, muito bom, quase tão bom como comer um Magnum numa esplanada de Cascais, quase tão bom como ...esqueçam....

Estou com saudades da mosca...


O Desnível é constante e o entusiasmo também. Para o cenário ser perfeito, apenas faltou um pouco mais de sol que por vezes espreitava timidamente pelas frinchas das nuvens (achei que ficava com nível esta metáfora aqui metida). Seguem-se as imagens que revelarão o esplendor deste fabuloso rio. A acção aparecerá no vídeo AQUI...cuja qualidade está claramente acima da média ou seja assim-assim (acima do mau e do péssimo).







É sem dúvida um dos nossos rios predilectos, por várias razões: É o mais perto de casa (apenas a 200km), os rápidos são sucessivos e existe sempre uma mosca que nos atanaza durante a viagem...


Com um caiaque mais maneirinho isto não acontecia!


Na procura de enriquecer este blogue com uma recolha incessante de imagens dá origem a aumentar o tempo de descida em mais uma hora. É certo que as imagens ficam sempre... como hei-de dizer, ...embaceadas,...mas a malta convence-se sempre que ficam muito melhores.


Chegámos ao final e tinha de se decidir quem punha a pernoca a funcionar para ir buscar o veículo ao início. O Matulão lá vociferou com o seu criolo aportuguesado que tinha má circulação nos membros inferiores, uma insuportável dor de costas, uma ezirpela rara, um tubérculo na canela, portanto não poderia correr. Olhei em volta e só sobravam os caiaques e eu. Ainda pensei em dar um toque à mosca, mas a tipa tinha chumbado no exame de código, porque estava distraída a olhar para as asas de outra mosca espampanante (falhou 5 questões, entre as quais aquela de "para que lado se roda a chave para por este veículo a iniciar a sua marcha"). Como a mosca não me podia trazer o carro e com o matulão agarrado à canela, só restava pôr-me ao caminho e fazer a corridita durante aqueles 5 quilómetros.

Até os caiaques se recusaram a ir buscar o carro....




Não tinha outro remédio senão...subir,...subir muito


Cheguei ao carro e lá estava o raio da mosca, encostada ao tablier com ar extenuado. Parece que um gang de tipos armados com shot guns quis entrar no carro e ela deu um enxerto de zumbidelas neles todos. Eu é que já não aguentava mais zumbidela...


Estarão os leitores a pensar, porque raio este gajo intitulou esta aventura de "Eu vi um sapo..."? Só o ouvimos falar da mosca(?)...mosca para aqui, mosca para acoli, e do sapo nada. Pois eu vou desvendar o mistério. Confirmei durante a descida, um estudo recente divulgado por uma conceituada revista Australiana, o qual assegurava que os sapos, para além de terem grandes pernas (mas não tão boas como a tipa do reconhecimento do jorge), de serem exímios nadadores, têm também uma enorme capacidade intelectual. Descobri então o enorme discernimento dos sapos quando, numa das paragens ia a pegar no meu caiaque e reparei num sapinho colado no seu interior. Não ficou nenhuma dúvida. Ele tinha ali dois barcos um ao lado do outro e saltou para dentro daquele que lhe possibilitaria um ninho mais aconchegante, com maior qualidade, com um aspecto mais belo. Depois de o deixar usufruir de tão bela embarcação por mais uns momentos, tive que o mandar para o seu habitat, apesar da sua enorme resistência e de um ou outro lacrimejar. Eis a prova do bom gosto do jovem sapo...


Eram 15.30h arrumámos as coisitas no carro e fomos abastecer a pança a Castro de Aire antes da próxima descida. Pedimos duas bifanas, enquanto estabelecíamos estratégias para o rio seguinte. Estávamos a pensar se descíamos os Tenente ou o Águeda. Olhámos lá para fora e chuvia à bruta; olhávamos para as bifanas e ...não chuvia nada. Então? vamos ao Águeda ou ao Tenente? - Olhe se faz favor!...venham mais duas bifanas e dois finos!


Os restos do "Águeda" e do "Tenente"


E a Mosca? A mosca iria regressar connosco. A última vez que me lembro de a ouvir Zumbir estava ela em cima da perna do Pedro, que não estava de muito bom humor. Ouvi um ruído que lembrava uma mão a espalmar qualquer coisa com asas. Poupando os pormenores mais sórdidos, apenas dizer que o tempo de vida da mosca foi reduzido de 5 para dois dias. A cerimónias fúnebres foram realizadas com alguma pompa e solenidade: os restos mortais foram lançados para o solo do meu carro com uma vigorosa dedada similar à de quem empurra o berlinde em direcção à covinha. Que descanse em paz... na covinha do meu tapete.


segunda-feira, 24 de março de 2008

O Chamamento


Estou em Vale de Cambra de visita aos meus sogros. O Paiva está demasiado perto e eu ali a pressionar no comando da televisão. Deambulo entre a RTP Memória e o Canal Panda. O caiaque na garagem parece que está inquieto. Quase o oiço implorar "Então? Vens dar uso à minha chaparia ou continuas aí encostado no sofá?". E o Paiva ali tão perto....Espero pelo momento oportuno para dizer à minha cara-metade que vou ali e já volto, mas ela não vê os pais há algum tempo, tenho de ser paciente. Vai sair com a mãe para as compras. Chega das compras e vai levar o pai a passear; ...é agora! ...vou-me pirar..."querida, achas que...", ...fui interrompido..."Olha vou agora com a minha mãe ali visitar a minha tia!",... E o paiva ali tão perto...porra! Voltou da tia e é desta! ...agora poderia ficar com os cachopos enquanto eu,..."olha Miguel só agora me lembrei que tenho de ir ali à Hermínia, a minha amiga que fez anos. Ficas aqui com os miúdos?"..."Concerteza, meu amor..." . O caiaque continuava a contorcer-se de impaciência, mas não havia nada a fazer, estava de baby-sitting a tempo inteiro, ou seja, sem tempo para ir ao paiva que estava ali tão perto. Epá tens de te impor! Quando ela voltar da Hermínia diz-lhe que vais ali comprar um maço de cigarros e já voltas...mas...eu nem fumo?...pronto uma caixa de pastilhas gorila...mas as gorila não vêem em caixas...umas tridente vá...
A coisa funcionou. Meti-me no carrito, o caiaque lá em cima aos saltos e lá fui eu para a minha terapia mensal. Não tinha a companhia do pedro (que recuperava a sua canela de mais um ataque a um infeliz que lhe quis dar uma naifada) e do jorge(que devia estar a acartar mais uns baldes de massa), mas como eu precisava de meter as ventas no líquido, lá fui alegre e contente. Repito aquele momento de prazer solitário há alguns anos e o gozo continua a mesmo. Chego à ponte de Espiunca, pego no caiaque e vou subindo o rio até ao rápido dos 3 saltinhos, onde permaneço às cambalhotas o tempo que as minhas capacidades e artroses suportarem o esforço e o frio da água. Perguntar-me-ão os mais entendidos: "Epá e que manobras fazes?" Não sei nem me interessa. Aquele é um momento em que apenas me sinto bem. Dentro duma massa de água que suga o caiaque com a força que tem, para o libertar na direcção que acha mais conveniente. A água que me percorre dos tímpanos até ao intestino delgado; que me entra a cem há hora pelas narinas e dá 4 voltas à massa encefálica. É o burburinho da água, o sol na cara, a sofreguidão depois de uma submersão mais demorada. E ninguém ali para testemunhar as minhas voltas nas voltas da água. Sou só eu o líquido e uns quantos calhaus à espera que me descuide.




Subo o rápido e remo até ao outro lá mais acima. Depois desço e volto a ficar ali nas minhas cambalhotas. Ouço um assobio. É um pastor com as suas cabras escaladoras ali metido no penhasco a observar e a pensar que tipo seria aquele que se estava a autoflagelar entre a água e os calhaus. Depois de 50 minutos, tinha de me põr em pé; já me doíam os joelhos. Desci do caiaque, baixei-me um pouco e as minhas costas gritaram em uníssono: " Toma lá com esta lombalgia que é para veres se te lembras de ficar em casa a pressionar o comando em busca de algo melhor do que o canal memória!". Meti-me todo empenado dentro do barco e lá me fui arrastando até à ponte para ver se conseguia pôr a custo o caiaque em cima do tejadilho do carro. Malditas costas! maldita ginástica na adolescência!...Maldito voleibol!..maldito canal memória! Tens de te deixar destas merdas... Foi então que me lembrei dos melindres que iria trincar em Arouca . Parece que as costas já me doem menos um bocadinho...


As fotografias foram tiradas numa época longíqua (cerca de 10 anos atrás) em que a minha esposa ainda me fazia companhia. Ela levava o seu livro e eu levava com água no toutiço. Agora se eu quiser fotografias tenho de chamar o pastor ou uma das cabras escaladoras.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A Penugem cresceu no Frades



A bomba estoirou. O Ministério Público deu início a um novo processo de aliciamento ilegal denominado “pagaia dourada”. Os indícios surgiram após a divulgação por parte do SIS, de escutas telefónicas feitas em duas habitações, onde se percebia claramente a pressão exercida pelo aliciador (Pedro P.) sobre o aliciado(Jorge P.). Os nomes são quase fictícios, para proteger as suas identidades (não que os malandros merecessem). Então aqui vai o diálogo:
Pedro P- Jorge, amanhã vais connosco ao rio!
Jorge P – Vou aonde?...
Pedro P – Ao rio! Já está tudo tratado. Já falei à Graça e ela deixa ir o Miguel sem exigir muito em troca ( confecção de jantar todos os dias durante um mês, 8 lavagens semanais da loiça durante 2 meses, banhos aos miúdos durante 3 meses e corte de todas as ervas daninhas do terreno durante toda a vida)!
Jorge P – Mas espera aí….
Pedro P – Não espero nada! Vais Buscar a chave do meu carro que está enterrada algures no meu terreno e depois pegas no carro que tem as minhas coisas dentro e vens ter comigo a T. Novas. Ah!.... já me esquecia,… a pá para desenterrares as chaves está encostada à casota do cão!
Jorge P- Mas eu não pos…
Pedro P- Ouve, aquilo da chave era a brincar. Podes descobri-la debaixo de um dos pneus do meu carro. Só o precisas de levantar..com algum jeitinho.
Jorge P – Epá! (todas as escutas têm de ter um “epá” pelo meio e já agora uma asneira ) deixa-me falar porra (aqui está ela)!
Pedro P – Ouve Jorge, espero-te aqui à noite para arrancarmos amanhã cedinho para V. Cambra!
Jorge P- Mas eu tenho de acabar a minha casa!...Não vai dar…
Pedro P – Acabar o quê?.....(silêncio de quem está a conter a gargalhada)…..Deixa-te disso! Tens mais 23 anos para acabares essa … construção!
Jorge P – Depois o cimento aumenta, e os tijolos ficam pela hora da morte…
Pedro P- Se começas com muitas merdas, mando-te aí uns capangas e eles acabam-te a casa num instante!
Jorge P- Epá isso é que não! …A que horas é que é para estar aí?

E foi assim que a pressão ilícita chegou ao mundo da canoagem. Primeiro o aliciamento; depois a ameaça …Felizmente estamos em Portugal e os tipos do Ministério Público estão mais interessados em resolver os verdadeiros casos de corrupção,…bom,… resolver?,…vá,….tentar resolver?.....fingir resolver?....não resolver?,….esqueçam lá isso.

Lá apareceu o Jorge à hora marcada. Depois percebeu a pressão do Pedro para ir ao rio. Estrear a sua pagaia nova…feita com materiais velhos!? Uma verdadeira obra de reutilização que o deixou muito orgulhoso. E era para estar! Não gastou dinheiro nenhum e construiu uma pagaia à sua medida: grande e pesada… A sua dúvida seria se a mesma conseguia flutuar no líquido, dado que o seu peso aspirava mais a funcionar como lastro. O Jorge não se ficou atrás e, também ele, construiu a sua pagaia, toda ela elaborada com material do mais fino ...chumbo. Apesar do esforço, não conseguia contudo, rivalizar com o mastodonte do Pedro.

No domingo choveu todo o dia em V. de Cambra e, depois de ver o grande caudal no rio Caima, convenci os meus companheiros a trocarmos o desfiladeiro do Paiva(inicialmente previsto) pelo rio Frades, que ainda nenhum de nós conhecia.
Pedi informação do local de embarque ao Luís Vieira e lá fomos até à entrada no rio. Quando chegámos lá percebemos que se calhar, não tinha chovido o suficiente.



Da mais leve para a mais Pesaaaada


O Pedro estava contra a descida e eu e o Jorge estávamos numa de descer para conhecer. Tivemos de exercer pressão ilícita para o convencer a descer (dissemos que caso não descesse, arranjávamos uns capangas para lhe roubarem a pagaia e fazerem dela uma âncora de petroleiro) . O Pedro Lá foi contrariado. O rio estava esplêndido, fabuloso, com um caudal espectacular, extraordinário…Agora que já terminei este intenso exercício de auto-convencimento, tenho de admitir que….(o que isto me vai custar),….o Pedro tinha razão! Pronto, consegui dizer. É verdade, o rio estava feito para ficar lá algum plástico dos nossos bonitos caiaques e quiçá parte da nossa carroçaria óssea.

Amolgadela na cremalheira


Fez-se tudo, algumas zonas(muitas) mais arrastadas do que outras(poucas). Para a história ficarão: o Bate Côxa do Pedro num calhau cuja vibração produziu uma espécie de maremoto no rio Frades; a amolgadela do novo caiaque do Pedro, num outro calhau do percurso; A cara do Pedro depois de olhar para a transfiguração do seu caiaque; o salto feito por um Pedro Furioso com tanto calhau.


Só P'ra mostrar a pagaia


Antes do Bate Côxa no calhau
Fúria pós-côxa amolgada

Depois da descida ainda colocámos a hipótese de rumar ao Paiva, para ver se remávamos um poucachinho, mas depois de despir os fatos, e pensarmos na coxa de frango que nos esperava em Arouca, decidimos que colocar fatos molhados sobre a epiderme não era para nós.

Exibindo a Coxinha magoada em frente da igreja...é pecado...

Existiu num entanto, um fenómeno curioso: A tosse que me perseguia há alguns dias, desapareceu durante a descida do rio. Fiquei sem a mais ténue pieira ou catarro. O meu cof, cof, deu lugar a um som estranho que ainda hoje estou para perceber o que significa. Era qualquer coisa do género “quac,quac…”

Penugem versão "National Geografic"



Hoje, ainda estamos num processo de recuperação psicológica e de vez em quando ainda tiramos uma ou outra penugem do dorso. Pressinto que não faltará muito para o SIS descobrir uma nova escuta telefónica:
Pedro P – Ó Miguel! Já está tudo pronto, para amanhã irmos ao desfiladeiro!
Miguel P- Epá (aqui está ele outra vez) não posso!
Pedro P- Já disse ao Jorge que lhe mandava uns capangas acabarem-lhe a casa e tu, se não te pões pianinho, ato-te a minha singela pagaia ao costázio e mando-te um encontrão para o rio!
Miguel P – A que horas é para estar pronto?...

O Micro- VIDEO Aqui...


E para terminar, deixamos esta montra de uma Companhia de Seguros em Arouca...Sem comentários...(atenção...uma companhia de seguros...)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Rios, sismos e minimalismos...


Com a vontade reforçada pela falta prolongada de líquido nos rios e depois de uma semana chuvosa, decidimos rumar em direcção ao minho. Desta vez, para variar, fomos os três artríticos, porque mais uma vez os outros a quem falámos tinham artroses maiores ao nível das capacidades volitivas, encobertas com razões extremamente válidas como pagaias partidas, afazeres familiares, pragas de pulgas nos cães, fuga dos piriquitos para o Botswana e vejam só...falta de dinheiro( eh,eh,eh).
Chegámos a Melgaço e dirigimo-nos à pousada da Juventude. Uma das características marcantes do avanço da idade cronológica (maneira simpática de dizer "envelhecimento carunchoso"), além dos cabelos brancos, das dores por tudo o que é articular, da surdez progressiva, está na clarividência da observação das condições ideais de conforto. Como tal, vamos perdendo essa capacidade de achar grande piada às noites idílicas de acampamento junto ao rio, à volta da fogueira, a tentar secar os fatos debaixo de chuva e, de forma incompreensível, começamos a dar mais valor a uma caminha quentinha, num quarto quentinho e um banho quentinho. Recebidos por uma moçoila de fartos atributos, verificámos que éramos os únicos a usufruir daquele fabuloso espaço, com solo em madeira e aquecimento central, a preço de campismo. A juventude não aproveita, aproveitam os jovens mais seniores…
Na primeira noite, fui surpreendido por um estranho fenómeno. Acompanhado por um ruído de progressiva intensidade, começou uma vibração ao nível do subsolo, que punha tudo a abanar. “Pedro! Estás a ouvir isto?” perguntei incrédulo e temendo o pior cenário dos livros do Asterix. “Jorge! Estás a ouvir isto?” perguntou o Pedro ao Jorge. Curiosamente, quando o Jorge acordava, a vibração parecia diminuir. Foi então que percebemos que aquele fenómeno sísmico com cerca de 7 graus na escala de Riscther tinha o seu epicentro no nosso quarto da pousada, mais precisamente dentro da cama do Jorge. Rapidamente transportei o colchão para o hall (até hall tinham os quartos…) para tentar dormir, um pouco mais protegido da expansão sísmica produzida pelo aparelho respiratório do meu amigo Jorge (já dizia o ditado “com amigos destes….”). O Pedro juntou-se a mim no abrigo anti-terramoto cerca das 4 da matina, facto que merece um louvor especial, por ter aguentado aquele abalo mais três horas do que eu.
No dia seguinte atordoados pela atribulada noite, fomos até ao rio Mouro. E foi no caminho para esse rio que começaram as dissertações do Pedro sobre os atributos da arquitectura minimalista. E como Melgaço era rica em termos de casas minimalistas. Análise daqui, paragem acoli, fotografia acolá, acompanhadas sempre por abalizadas opiniões sobre as formas rectilíneas das habitações ao que se seguia sempre a pergunta: Mas porque raio chamam a estes monte de cubos sobrepostos casas minimalistas? …Lá fomos em direcção do Mouro, um rio que tínhamos feito há cerca de um ano em cheia e prego a fundo, facto que inviabilizou uma apreciação mais calma dos encantos do mesmo. Seria desta vez. O caudal parecia o ideal e o sol queria romper entre as nuvens. Conseguimos encontrar um taxista que nos fizesse o retorno do carro, mas parece que o tipo tinha poucos conhecimentos de orientação e a espera foi longa. Demasiado longa para os delicados pezinhos dentro das botas gélidas. Depois de algumas corridas e saltos, os pezinhos continuavam empedernidos e foi então que ouve alguém que optou pela solução mais javardolas. Decidiu unir o útil ao agradável. O útil, materializado pela vontade de fazer uma mijoca; o agradável pela vontade de aquecer o peúgo. Solução? Despender o caloroso líquido urinário (vulgo mijinha) para o interior de cada uma das botinhas. À primeira vista parece repugnante, mas não sabem como aquilo soube bem… Parece-me mesmo que se ouviram as risadas de contentamento do dedão do pé.






Depois do taxista dar com o caminho lá descemos o Mouro. Um esplendoroso rio, que se foi descobrindo e desfrutado com alegria. A qualidade das imagens de vídeo, faz-nos perceber o grau evolutivo do artista. A união entre imagens muito pequenas, desfocadas, tremidas e com um certo grau de nebulosidade, dão ao realizador um cunho artístico situado na confluência do surrealismo com o minimalismo cúbico e o estrume do buvino. Se têm dúvidas da qualidade apreciem AQUI (VIDEO) a fabulosa obra de arte cinematogáfica. Pedro Scorcese mudou o seu pseudónimo para Pedro Minimalismo Obscurantista. (Ponham o volume bem alto para perceberem a magnitude do sismo que assolou Melgaço). O video é pesado, como tal o melhor é deixá-lo correr uma 1ª vez e só depois vê-lo de seguida.

Depois da saída do rio, percebemos que vinham uns espanhóis colados a nós. Um deles ainda teceu comentários depreciativos ao avantajado caiaque do Pedro, mas olhando para a volumetria do utilizador, cedo compreendeu…

O melhor momento do dia é sempre quando se retiram as vestes húmidas para dar lugar ao tecido sequinho e nos pomos a imaginar o repasto que vai ser triturado pelas nossas carentes mandíbulas. Nada melhor do que em Melgaço, uma tasca encostada à igreja, onde ainda tivemos tempo de assistir ao jogo do Benfica para não sair derrotado da luz, perante o olhar benfiquista e desconsolado do Jorge. Depois do bife, recolha aos luxuosos aposentos e preparação para um novo sismo. Desta vez foi o próprio sismo que se sujeitou ao abrigo anti-terramoto, afinal estava em minoria.

No dia seguinte, depois do pequeno almoço, percebemos que o tempo tinha mudado. Era vento e chuva com fartura, acompanhados por uns apelativos trovões. Tínhamos programado o rio Vez e, em todo o caminho, para além de discussões sobre o minimalismo arquitectónico, pôs-se a hipótese de abortar a descida. O panorama de despir a roupa sequinha à chuva e mergulhar no rio à chuva quase nos demoveu dos nossos objectivos. Mas não!!! Os velhadas, não se negam mesmo perante condições adversas!...apesar de nos ter apetecido muiiiiiito….
Encontrámos no ponto de partida uma malta que pensávamos ser espanhola, e que ocupavam o único local coberto e onde poderíamos equipar com algum conforto. Pedro logo pôs em acção a sua veia poliglota e lançou um “nosotros estiamos esperiando qui vosotros se dispiam!”…o silêncio deles deu a entender uma expressão do género “o que é que este gajo está a dizer?”.
Quando me aproximei deles e me preparava para ouvir castelhano, ouço um tipo a falar português. Pertenciam a um clube de Braga e iam descer aquele troço. Malta porreira que tal, como nós, não deveria bater com todos os cilindros e que se prestou a meter-se debaixo da intempérie.
Descemos apenas os dois primeiros rápidos juntos e depois despedimo-nos porque nós ainda tínhamos de fazer uma longa viagem. O Pedro, sabe-se lá porquê (eu sei mas não digo), meteu o freio nos dentes e foi por ali abaixo ajudado pela sua pagaia minimalista e nós a ver se conseguíamos acompanhar o ritmo meteórico da sua remada. Fizemos a etapa em 50 minutos, com a grande vantagem de não se ter tempo para qualquer realização de filme versão minimalista.
Acabámos em beleza na mesa do Valente em Ponte de Lima, a trincar o polvo grelhado e a vitelinha assada. Que melhor se pode querer?....
A propósito, eu já tinha falado da arquitectura minimalista?...É que são casas muito engraçadas…


Ó Pedro! Ó Pedro! Afinal parece que já podes trocar de pagaia, ouvi dizer que nos vão aumentar os salários 20%...
Eh,Eh, Eh,...


Foi o Sócrates que prometeu!....

domingo, 25 de novembro de 2007

Com Frio e… Sem Água


Não metíamos as nossas delicadas nádegas dentro do caiaque há 3 longos meses e, eis que caiem uns quantos pingos torrenciais de chuva para nos acalentar a esperança de tirar o mofo dos fatos. Começámos a época como a tínhamos terminado: no desfiladeiro do Paiva. Paradoxalmente (achei que ficava bem este termo para começar a época de com algum nível de escrita), o rio tinha menos água em finais de Novembro que em Junho(?). E nestas coisas de rio existe sempre a tal relação inversa Menos água – Mais calhau, facto que cria sempre uma perspectiva agradável para a doce moleirinha coberta pelo frágil capacete da loja dos 300. Desta vez fomos os três. O Jorge, o tal homem que no ano de 1990 depois de Cristo, ficou celebrizado pela marcante frase “Eu Faço!” olhando para o rápido das Marmitas, numa altura em que não sabíamos que existiam cordas de resgate. Mas não só disse como de facto fez... Desta vez o Jorge não se limitou a voltar ao local do crime, como veio munido de uma nova e revolucionária embarcação: um barco que tem tanto de caiaque como de submarino. Na verdade o barco é o mesmo, mas o seu volume não conseguiu adaptar-se ao relevante crescimento morfológico do seu utilizador; em linguagem mais brejeira “o gajo engordou comó camandro desde a última utilização e o caiaque não tem culpa”. Em compensação o Pedro, que tem a mania das grandezas, exibiu altivamente o seu novo tanque aquático, lançando um olhar de soslaio para o submarino do Jorge como que a dizer: Ó pequenote!...Olha p’ra mim aqui em cima! Dada a enorme dimensão do petroleiro decidiu que poderia levar todo o enxoval no seu interior , facto que mais tarde trouxe algum arrependimento e muita dor de costas, durante a portagem do salto.
As imagens que se seguem foram as poucas que não ficaram em filme.



Mas lá fomos todos contentinhos, cheios de vontade de roçar com a bunda nos calhaus. O Pedro lá em cima e o Jorge tentando convencer o seu barco a deslocar-se debaixo de água. Atestámos no primeiro rápido que a coisa ia bater muito no fundo e lixar o fundo novo do caiaque novo. Aqui em baixo aparecem as imagens que não sei como estão porque o fóssil do meu computador, deu o berro e aquele em que me encontro, é um fóssil um pouco mais recente que não me deixa ver as imagens... Quando eu tiver acesso a uma máquina melhor, farei as devidas correcções... Ver Video AQUI
Aquilo foi-se fazendo, sempre com a reportagem videográfica do mais alto gabarito, agora com a nova caixa estanque, o filme iria ficar melhor…ou talvez não. Sim, porque a caixa estanque fazia toda a diferença. Desta vez, como ia o Jorge, tive a oportunidade de lhe passar a batata quente de filmar o sempre exigente Pedro Scorsese. E a coisa parece que não correu bem. O Jorge apenas ligou a máquina um tempito… depois do gajo entrar no rápido. Eu estava descansado porque agora seria o Jorge a papar com os impropérios do grandalhão sobre as lamentáveis qualidades na captação da imagem.
Depois do rápido grande lá fomos às Marmitas e aí coube-me a mim perceber a sensação de submersão que o Jorge sentia com o seu barco. Depois de passar a parte inicial do rápido, senti que fiquei assim a modos que…entalado entre três calhaus (qual Egas Moniz no portão do Castelo de S. Jorge), com a água a fazer-me cócegas nos pêlos das costas. Não me bastava esta humilhante entaladela (que a imagem documentará; eu ainda quis apagar mas não consegui…) ainda sentia o gargalhar dos meus simpáticos companheiros de descida. Lá Desentalei, e continuámos.
Entretanto começámos a perceber que a temperatura da água, não convidava a grandes banhos, e foi isso que tratámos de não fazer. Começámos a remar um pouco mais rápido, para ver se as adiposidades aqueciam, mas também para fugir dos comentários técnicos do Pedro sobre o seu novo barco”Epá o caiaque parece que foge; epá o caiaque passa muito bem o rápido!….?...então em que é que ficamos pá?.... Foge? …ou passa bem o rápido?...Decide-te pá!. Entre estes dois comentários aparentemente antagónicos, largava um nostálgico “o meu caiaque velhinho passava muito bem isto…”. Ele há gajos, indecisos…Apesar das indecisões e do barco novo que é melhor, …ou parece que não é,…ou vá lá,….tem mais volume,…mas foge mais, o tipo desceu tudo aquilo com uma perna às costas.
Após o rápido das escadinhas apareceu a outra malta que descia o rio nesse dia e acabámos juntos o pouco que faltava. O Joaquim de Alvarenga logo se prontificou a dar boleia para ir buscar o carro ao Areiinho. Com a pressa de ir buscar o Jorge ,que não tinha roupinha seca como o Pedro (lembram-se do enxoval?) , despedi-me do Joaquim e arranquei a abrir para ver se resgatava o Jorge ainda com vida e esqueci-me do meu equipamento no carro do Joaquim. Foi o pretexto para voltarmos a meter o dente nos famosos e saborosos bifes de Alvarenga. O Jorge e o Pedro, esquisitos e com déficit de sensibilidade não apreciaram lá grande coisa tão subtil iguaria. Eu trinquei a iguaria até ao último resquício e, de barriga cheia, nem tive tempo para me chatear muito com a conta puxadota que tivemos de pagar.

A Vaca Arouquesa...no prato...




...E ainda há vegetarianos....


Voltámos para casa, acompanhados pelo melódico ressonar de Jorge Betoneira, que conseguia sobrepor-se a qualquer outro ruído externo. Quando por vezes despertava, sem qualquer noção da magnitude dos seus sons, fazia comentários depreciativos à nossa música sempre actual, que entretanto já conseguíamos ouvir (porque ele tinha parado fazer cimento)... Entre ressonar e dizer mal do magnífico Rod Stewart, pior, só mesmo uma crise de flatulência, que felizmente o Jorge não teve...o cheiro vinha lá de fora...


O doce ressonar da betoneira...



Agora é esperar para que caia chuvinha para irmos aos rios do Minho….

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Últimos cartuchos no desfiladeiro do Paiva

Torres Novas, 3 de Junho 2007:

- Então o caiaque?
- Qual caiaque?
- Não tínhamos falado na possibilidade....
- Não me disseste nada e eu não trouxe o caiaque!
- É que está um sol do camano e parece que no paiva ainda dá para descer.
- Porra pá, não trouxe o caiaque!
- Eu empresto-te um e vamos lá!
- Eu vou é buscar o meu a casa e volto já...
200km depois
- Já tenho o caiaque!

Lá fomos os dois (toda a malta a quem mandámos um toque tinha mais que fazer), rumo ao desfiladeiro do paiva para a descida domingueira. Saímos de Torres Novas às 7 da matina e estávamos em frente ao rio às 9.30h. Entre vestimenta e cagadela entrámos na água às 10. Um calor a convidar à banhoca para refrescar a epiderme suada debaixo do kispo. Depois de umas quantas esquimotagens, percebemos que nem só na Costa Rica existem rios de águas bravas onde apetece mergulhar.
O Caudal estava baixo, muito calhau à vista mas lá fomos descendo sem grandes problemas. Agora que o Pedro descobriu que a sua máquina comprada nos chinocas até dá "pala fazele uns fillmes poleilos", assumiu de forma explícita a sua veia scorsesiana e vá de filmar as passagens com ângulos daqui, mais zoom dali, mais planos panorâmicos dacoli. Mas como os chinocas são muito poupadinhos nestas coisas da tecnologia, descobriu-se que a máquina só dava para 30 segundos de filme de cada vez, daí os inúmeros cortes artísticos da realização. Por vezes ouvia-se o realizador: Epá vê lá se desces essa coisa mais rápido senão o filme acaba!
As poucas fotografias que se tiraram coloco aqui já em baixo. De reparar que dentro do rio, só aparecem fotos do caiaque mais bonito, isto porque o gajo do caiaque mais foleiro, só queria filme, daquele não estático, resultando num enorme ganho em termos estéticos do slide fotográfico...





Na sequência de imagens de video que se segue, a tremideira não resulta de qualquer tipo de doença degenerativa do sistema nervoso central por parte do câmara-men, mas sim à criação de uma técnica revolucionária de filmagem denominada "Oscilantion View" que dá um cunho mais dinâmico à acção, transmitindo ao espectador a sensação de estar dentro do caiaque com o próprio personagem... Para visionar o video clicar AQUI . A música é em honra à malta da nossa idade que ainda se lembra dos Jethro Tull...

No final da descida, ainda vestimos o equipamento da corrida para irmos buscar o carro ao areiinho, mas o sol na cachimónia logo nos forneceu a clarividência de que uma boleia saberia melhor. Ficámos à espera enquanto umas espécies de moscas carnívoras se mandavam furiosamente às nossas carnudas coxas, mas percebemos que àquela hora (duas da tarde) , a malta estaria a saborear o descanso pós-repasto e não passava um único veículo que nos pudesse salvar daquele ataque feroz do insecto. Decidimos chamar um táxi de Canelas e ainda bem. Por um lado já não tinha de correr, por outro o senhor pôs-me a par das novidades da aldeia e fiquei a saber que as duas filhas do Padeiro de Canelas já não estão lá, que abriu um restaurante muito bom acima de Canelas onde se come uma vitelinha assada do melhor, das suas pescarias e petiscos à noite perto do rio e do muito pessoal que tinha passado por lá este ano com esses grandes barcos de borracha...

Um agradecimento final à loja Zin Pong Yang, por ter tornado possível esta apresentação, quer pela fabulosa imitação de máquina cannon que nos facultou, quer pelo cabo de ligação multifunções que nos vendeu e me fez perder aproximadamente 1h18minutos e 38 segundos no sentido de perceber como aquela porra funcionava. Ao senhor Chang e esposa que não tiram os olhos de nós enquanto fazemos compras, o nosso muito obrigado.

Para Setembro haverão mais rios para descer e histórias para contar. Agora é mais praia e ondas...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Mouro e Vez - lembrando os Alpes

9 de Dezembro de 2006




Rumámos ao Rio Mouro ali perto de Monção. Duas semanas após as grandes cheias lá fomos (Pedro, Jorge J. e eu) convencidos que os caudais já estariam mais baixos. À medida que os quilómetros passavam, e nós passávamos por cima das pontes, começámos a ver que lá para cima a chuva não teria abrandado...assim muito. Mondego em cheia, Vouga em cheia e todos os outros rios que vislumbrávamos tinham as árvores bem no meio da correnteza...sinal que a cheia continuava por ali. Não esmorecemos e fomos optimistas até à ponte de saída para o rio Mouro. Tudo aquilo era uma grande massa branca de água, levando-nos a questionar se valeria o risco...arriscarmos. Arriscámos e lá fomos nós na corrente, sempre pata a fundo, lembrando as descidas dos Alpes franceses que fizemos em 2003.
Com poucas zonas de recuperação, com bom desnível, muito frio e muita chuva pela cachimónia...










Optámos por não fazer um salto a meio do percurso porque o retorno que formava, não era muito convidativo para um mergulho sem guelras...Ao vivo, era um bocadito mais imponente...




Num dos rápidos mais desafiadores e longos do trajecto (não dava para ver bem a parte final), foi altura para sentir a consistência de um calhau bem na lateral da minha testa, levando aos mais despropositados comentários tauromáticos dos meus dois companheiros no resto da descida. Capotei em dois retornos na parte final da passagem (após o tronco que passava o rio) e senti que o meu velho capacete estava zangado comigo. Quando esquimotei e consegui uns metros mais à frente encostar, percebi que o meu corno rivalizava com um dos bois de qualquer ganadaria de sucesso. A vantagem da frescura do líquido, é que pus o corno de molho, e 5 minutos depois já só aparentava ser um cornito de bezerro no desmame. As imagem documentam a sequência do rápido....













Dizem que pareço o calimero com este capacete não sou eu que faço muuuu...


Mais umas quantas passagens e, com o adiantado da hora, decidimos sair do rio enquanto era de dia (para não repetir a penumbra do covo). A subida até à estrada, foi penosa,...muito penosaaaa.



Acabámos a comer a Vitela e o Polvo à lagareiro em Ponte de Lima (cada meia dose dá para uma família completa; piriquito incluido)






Rio Vez





Depois de uma noite bem/mal passada na pousada da juventude (sim, ...descobri que sou bué da jovem e todos os que lá pernoitaram muitos com aspecto de avôzinhos...), arrancámos até ao rio Vez. Com a experiência do Mouro íamos à espera de mais uma descida vertiginosa com carradas de água. O meu corno estava agora muito mais reduzido, penso que se escondeu talvez por não suportar o ressonar de Jorge Betoneira, que deveria ter dormido a 6 quartos de distância do nosso, mas optou por ocupar o beliche ao lado do meu. Senti-me na Terra do Asterix a ter de suportar o Bardo toda a noite a recitar uma das suas magníficas canções ...

Nem o tampão vedou os decibéis

O bardo e o ouvinte com aspecto radiante

Apesar desse "pequeno" precalço sensorial, lá fomos para o rio Vez, nunca feito por nenhum de nós. optámos por fazer um troço do rio bastante animado entre a Ermida Sr do Aflitos (o nome não augurava nada de muito bom) e a Ponte de Neval. Eram 6Km com 90 metros de desnível, que com o caudal do dia anterior , nos dava alguma garantia de diversão em segurança. Encontrámos uns quantos espanhóis na entrada do rio (sinal que não utilizam o nosso país só para nos venderem roupa, calçado, fruta, peixe e afins). Como estávamos com alguma carência calórica, optámos por não descer com nuestros hermanos, mas abastecer os nossos delicados estômagos de portugas lateiros, com duas sandes de presunto em pão de cacete, uns sumos e um copo de boa pinga que o padeiro nos obrigou a engolir (só para provar, está claro...). O nosso repasto pré-rio desenrolou-se ali num café que não ia abrir, mas perante o nossa cara de "coitadinhos que não têm nada para comer" (principalmente o raquítico do Pedro) a senhora lá nos fez o jeito. Enfardámos que nem uns condenados e entrámos no rio a arrotar. A descida revelou-se bem mais fácil do que a anterior, sempre bastante animada sem serem necessários reconhecimentos fora do barco, talvez por isso também se tiraram poucas fotografias, que apresento hoje em slideshow (que aprendi hoje a fazer e dá outra dimensão internacional e riqueza a este blogue)
















No final da descida, quando nos preparávamos para a nossa penosa e habitual corrida, o Pedro vislumbrou um senhor dentro de uma carrinha de caixa aberta a parar junto ao café (que nos deu a paparoca) e utilizou a técnica do voluntário forçado: Ó chefe, a malta paga-lhe o gasóleo e o senhor vai-nos ali levar ao local onde temos carro!?...em linguagem de Cova da Moura "ou vais lá ou a malta tem de se chatear". O pobre do homem que não ia lá...teve de ir...lá. Bendita boleia. Como estava um pouco frescote, subimos para a caixa aberta e tentámo-nos abrigar do vento. O jorge, achou que não era preciso e aqui está a sua cara, segundos antes de criar um bloco de gelo à volta da sua narigueta.

Ó p'ra mim tão contente e prestes a transformar-me em pinguim


Depois de delicada operação para descongelamento do nariz e demais orgãos salientes do Jorge (alguns (que omitimos) não tiveram salvação) regressámos ao aconchego do lar, sempre com uma ideia no pensamento: Mas será que não estamos já velhos para apanharmos com este frio e esta chuva na cachimónia?...Não!!! responde a nosso ego em uníssono, num claro exercício de autoconvencimento...e de não aceitação de que as nossas artroses agradeceriam a troca desta água fria por umas pantufinhas e uma lareira quentinha....



quinta-feira, 12 de abril de 2007

Fabuloso rio Covo

Outubro de 2006:


Poucos dias após as primeiras cheias, eu e o Pedro aproveitámos um sol radioso e rumámos à descoberta do rio covo. O rio covo é um afluente do Paiva, mais pequeno do que este, mais estreito e com maior desnível, num vale esplendoroso. Um outro aliciante para nós, era a distância, relativamente curta entre a partida e a chegada. Limitações de ordem logística para quem só tem um carro. Descemos com o equipamento dentro do caiaque para ir buscar o carro a correr, no final do percurso na água (ainda não consegui ensiná-lo a vir ter connosco ao assobio).







Apressámo-nos a equipar, e colocámos os caiaques na água. O rio começa logo com uma sequência de três saltos bastante interessante, para não termos tempo de nos queixarmos da monotonia . Fiz a 1ª passagem enquanto o pedro captava o meu melhor sorriso . Não se vê bem na fotografia fruto da deplorável qualidade do fotógrafo e da máquina que os chineses lhe venderam dizendo que era uma cannon...




De seguida, eu ia explicar ao Pedro como um excelente fotógrafo pode culmatar carências qualitativas da máquina, mas eis que, antes do 1º salto, a sua decrépita pagaia, decidiu pela recusa e partiu-se sem mais nem menos. Resultado: estávamos na eminência de termos feito um porradão de quilómetros para ficarmos por ali mesmo, uma vez que não tínhamos mais nenhuma pagaia suplente (o ordenado de professor não dá para mais...). O Pedro também conhecido por "Macgyver Versão Melhorada" pôs-se logo de volta daquilo, com olhar de quem lida mal com a palavra impossível. Corda daqui, aperto dacoli, puxão dacolá...e nada! Eu olhava para aquelas tentativas com um optimismo a roçar o PIB português. Decidimos que o melhor seria irmos à aldeia ali perto procurar um ferreiro que nos desenrascasse a um fim de semana. Quando nos dirigíamos à procura de ajuda, cheios de pressa, ouvimos: ajudem!...ajudem!...? mas seria o nosso eco?...eram duas cabras (daquelas com pêlo e barbela) mãe e filha que, não só se tinham convencido que conseguiam nadar, como apostaram que faziam o primeiro rápido mais depressa do que a pagaia do Pedro. Estavam as duas dentro do rio e os donos sem saber o que fazer. Pedro com o seu super-poder puxa pela corda, e a mim, restava-me a parte mais hijiénica e humilhante, dentro do rio a empurrar as nalgas do caprino...esperando a qualquer momento por uma surpresa em forma de gás de rectaguarda. Lá pusemos os bichos a salvo e encontrámos um ferreiro que não sabia de ferragem, mais pessimista do que eu, mas que foi forçado a arranjar, empurrado pelo optimismo e tamanho exarcebado de Pedro Macgyver.


Pela diferença de estatura, facilmente se depreende que o ferreiro, mesmo contrariado, não tinha outro remédio senão seguir a sugestão do Pedro....




Depois do ferreiro ter sido quase forçado a fazer um trabalho de ferragem, a pagaia parecia sólida para aguentar a descida. Entrámos na água perto da uma o que não dos dava muito tempo para fazer um rio que não conhecíamos. Desta vez a pagaia não se recusou e lá consegui fazer uma foto do Pedro, que não exponho aqui porque já está exposta no grande festival de fotografia de Oslo, tendo sido nomeada como uma das 5 melhores fotografias do ano de...2008(?) (todos acreditavam que só daqui a um ano seria possível produzir e compreender uma obra daquela magnitude) e candidata ao prémio da melhor Foto do Ano ..na realidade, esta foi a maneira de dizer que a fotografia ficou, como ei-de dizer, com uma aparência similar à caganeta produzida pelo traseiro do caprino que eu estive a empurrar...Obviamente, que essa pequena falha, foi paga durante toda a descida pelos impropérios do Pedro sobre as minhas enormes capacidades de repórter fotográfico.




Prosseguimos na nossa descida, com inúmeros reconhecimentos, e o rio foi-se todo fazendo, sempre com passagens estreitas, sucessivas e de grande beleza.











Antes do meio da descida, foi tempo para enaltecer as grandes qualidades do ferreiro, que tinha posto um micro-rebite na pagaia, que acabou por partir. Macguiver Versão Melhorada, tinha o desafio à sua altura. Sem qualquer tipo de ferramenta, conseguiu encontrar um resto de garrafão de lixívia numa das margens (sinal de que estávamos em Portugal) e lá conseguiu fazer uma pagaia presa por arames (quase literalmente). Nos rápidos mais complicados emprestava-lhe a minha pagaia e lá fomos indo, desconfiando que iríamos chegar perto da noite. Não só estávamos perto da noite como a noite nos disse qualquer coisa ao ouvido, que me parece ter sido: ...Espero que tenham as lanternas...mas nós não tínhamos. Vá de remar, sem tempo para parar ou reconhecer rápidos, na mais completa penumbra, até que chegámos ao local onde o rio Covo termina e se prepara para entrar no paiva. Tínhamos chegado ao fim, mas ainda nos faltavam os 5 km de corrida, que nestas coisas de descidas de rio, significa quase sempre a subir...



No aconchego do carrinho, estávamos convictos que tínhamos merecido a refeição da noite, que fomos comer em Viseu.


Voltámos a descer o Covo os dois, já em Fevereiro deste ano, depois de uma ida ao rio Varosa em vão, porque a mini-hídrica desse rio,apenas viabilizava uma descida... com o caiaque às costas. Acabámos no Covo, para mais uma magnífica descida nesse magnífico rio. Captámos mais imagens de vídeo (que quando eu souber introduzir...introduzirei...). A imagem que se segue foi das poucas que sairam razoáveis (é que o Pedro arranjou um sistema hermético, para a câmara não se molhar, ...nem fazer fotografias muito nítidas...)





Ver o VIDEO AQUI